Metamorfoses Históricas: História, livros, músicas, cinema e motos!

Metamorfoses Históricas: História, livros, músicas, cinema e motos!



domingo, 13 de julho de 2014

13 de julho - Dia Mundial do Rock!!!!

Por que 13 de julho?

Em 13 de julho de 1985, Bob Geldof organizou o Live Aid, um show simultâneo em Londres, Inglaterra e na Filadélfia nos Estados Unidos.

O objetivo principal era o fim da fome na Etiópia e contou com a presença de artistas como: The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins (que tocou nos dois lugares), Eric Clapton e Black Sabbath.










































terça-feira, 3 de junho de 2014

Enquanto milhões de pessoas esperam com ansiedade pela Copa do Mundo (ansiedade essa influenciada pelo bombardeio midiático), milhões de reais foram desviados da entidade que deveria zelar pelo desenvolvimento do futebol no país. Um esporte, de tantos que temos, que acaba recebendo sempre a maior quantia de investimentos de recursos, como de espaço na televisão. 

E um esporte que tem seus barões a frente das entidades, como no caso da CBF ou das federações estaduais, onde a presença de familiares é uma constante e o público se torna privado. Aos poucos esta "caixa preta" é aberta, por alguns poucos repórteres que se habilitam a investigar as relações entre os dirigentes das entidades e empresas e empresários. Um apena luz no fim desse túnel que o futebol brasileiro, onde alguns poucos jogadores ganham alguns milhões e muitos ganham quase nada, sempre em busca de um sonho.

Com a Copa teremos um período de mais alienação frente a situação do nosso país e nenhum legado para a população em geral, das tão famosas obras de mobilidade urbana. E a vida segue para os milhões de trabalhadores brasileiros enquanto alguns poucos colherão muitos milhões de lucro em suas contas bancárias. E viva o país do futebol!


Os reis da maracutaia

Em o Lado sujo do futebol, quatro jornalistas detalham as mutretas de Ricardo Teixeira e João Havelange, símbolos da corrupção no esporte
por Rodrigo Martins — publicado 02/06/2014 04:39

A um mês da Copa do Mundo, a Fifa anunciou detalhes da festa de abertura. Antes de o Brasil enfrentar a Croácia no novo estádio do Corinthians, em 12 de junho, o show contará com a apresentação de mais de 600 bailarinos. Uma bola de 8 metros com milhares de lâmpadas de LED deverá se movimentar durante o espetáculo, com a participação do rapper Pitbull e das cantoras Claudia Leitte e Jeniffer Lopez. “A trilha sonora ficou muito bonita e levou dois meses e meio para ser composta”, anunciou, orgulhosa, Joana Havelange, do Comitê Organizador Local. A executiva só não antecipou se o pai, Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e o avô, João Havelange, presidente de honra da Fifa, vão prestigiar a festa.
Caso isso ocorra, será difícil as autoridades esconderem o constrangimento. Havelange e Teixeira ditaram os rumos do futebol brasileiro e mundial por mais de cinco décadas. Se o esporte mais popular do planeta acabou maculado por negociatas e tramoias variadas, muito se deve à dupla, que só largou o osso após a revelação de um multimilionário esquema de corrupção nas entranhas da Fifa. Pegos por um tribunal da Suíça, tiveram de devolver parte da propina e se afastar das entidades que presidiam ou mantinham influência. Essa longa trajetória de trapaças, fartamente documentada, é o centro do novo livro da editora Planeta, O Lado Sujo do Futebol, nas livrarias a partir do sábado 17.
Os autores são jornalistas experientes, embora sem trajetória na cobertura esportiva. Trabalharam juntos, de 2011 a 2012, em uma série de reportagens para a televisão sobre os desmandos de Teixeira e Havelange. Três deles ainda integram a equipe da TV Record: Luiz Carlos Azenha, Leandro Cipoloni e Amauri Ribeiro Jr., este último autor do livro Privataria Tucana(Geração Editorial), retrato da rede de corrupção montada a partir das privatizações no governo FHC. O quarto autor é Tony Chastinet, hoje na Band.
A obra de quase 400 páginas detalha como os cartolas transformaram o futebol em um negócio lucrativo, capaz de gerar recursos excedentes para assegurar o enriquecimento próprio e sua perpetuação no poder. Revela ainda como os dirigentes conseguiram escapar da maioria das denúncias, amparados na leniência do Judiciário e na intervenção amiga de parlamentares ligados a federações esportivas, a Bancada da Bola.
O principal mérito do livro é sistematizar as dezenas de acusações contra os cartolas, tanto aquelas extraídas de investigações oficiais, entre elas duas CPIs no Congresso, quanto de denúncias feitas pela mídia nacional e estrangeira. Ao volumoso trabalho de organização acrescentam-se revelações surpreendentes, a começar pelo involuntário pontapé dado pela Fifa nas investigações do esquema de corrupção da ISL, empresa que intermediava os contratos de televisão das Copas. Tudo começou quando Joseph Blatter, sucessor de Havelange no comando da Fifa, decidiu cobrar da massa falida da ISL o repasse de um pagamento da TV Globo pelos direitos de transmissão dos Mundiais de 2002 e 2006. Um promotor suíço resolveu investigar o caso a fundo. Por tabela, a Receita Federal do Brasil descobriria que a emissora da família Marinho sonegou 183 milhões de reais em impostos.
O livro esmiúça o relacionamento de Teixeira e do ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell. Parceiros de negócios por mais de uma década, envolveram-se em nebulosas transações comerciais que movimentaram mais de 45 milhões de reais. A proximidade era tamanha que o então presidente da CBF apresentou o espanhol a Neymar em um ônibus da Seleção Brasileira, um empurrão na contratação do atacante pelo clube catalão. A contratação, diga-se, é alvo de processo na Espanha.
Rosell chegou ao Brasil em agosto de 1999, cinco meses após o então deputado Aldo Rebelo, hoje ministro do Esporte, pedir a criação da CPI da Nike. Após o fracasso do Brasil no ano anterior, especulou-se que a multinacional poderia ter forçado a escalação de Ronaldo “Fenômeno”, seu principal garoto-propaganda, na final contra a França. Pouco antes da partida decisiva, o atleta apresentou sintomas de convulsão. Mesmo assim, entrou em campo. O resultado é conhecido por todos. Com a equipe apática, o Brasil perdeu de 3 a 0.
Ter a marca associada a uma CPI era tudo o que os executivos da Nike não desejavam quando assinaram, três anos antes, um contrato de patrocínio de 400 milhões de dólares com a CBF e a Trafic, detentora dos direitos de comercialização da Seleção Brasileira. “Os verdadeiros donos da bola são os patrocinadores. João Havelange e Ricardo Teixeira não passam de office-boys das grandes companhias de material esportivo, que investem pesado para associar suas marcas aos grandes atletas”, comenta Cipoloni.
Com a missão de estancar a crise, Rosell assumiu a direção dos negócios da Nike para a América Latina e instalou-se no Rio de Janeiro. Enquanto o brasileiro fazia lobby para enterrar a CPI, o espanhol acionou um batalhão de advogados para afastar a multinacional do epicentro das investigações. A maior dificuldade foi esclarecer certas cláusulas do contrato de patrocínio, que permitiam à Nike influir no cotidiano da equipe, da convocação e programação de eventos à escolha de adversários em amistosos.
“A CPI desnudou as negociatas de Teixeira à frente da CBF, os desvios de dinheiro, as empresas e contas em paraísos fiscais, mas... nada aconteceu. Em 2001, a comissão encerrou os trabalhos. O relatório não foi votado por influência da Bancada da Bola, e mais uma vez o País cumpriu a tradição de concluir uma CPI sem nenhum resultado prático”, registra o livro.
Com o fim da ameaça, a dupla sentiu-se à vontade para voltar aos negócios. Em dezembro de 2001, Rosell fundou a Brasil 100% Marketing, em sociedade com o financista Cláudio Honigman e o ex-executivo da AmBev Alexandre Barreira Leitão, um dos responsáveis pelo contrato de patrocínio da Seleção Brasileira com as marcas Brahma e Guaraná Antarctica. Formalmente, Teixeira estava de fora, mas o rastro dos negócios da turma indica o oposto.
Embora a atuação da Brasil 100% ficasse nas sombras das negociatas da CBF, um episódio ocorrido pouco antes da Copa da Alemanha em 2006 revelou a verdadeira natureza do negócio. Meinolf Sprink, então diretor de esportes da Bayer AG, proprietária do Bayer Leverkusen, denunciou ter sido vítima de uma tentativa de extorsão do grupo. Em entrevista à rádio alemã ABK, Sprink afirmou ter sido sondado por e-mail por um executivo da Brasil 100%. Em nome da CBF, a empresa queria saber quanto o Bayern estava disposto a pagar para a Seleção utilizar o centro de treinamentos do clube durante a Copa.
A revelação mais surpreendente sobre o modus operandi do grupo foi feita, porém, pelos autores do livro. Ao vasculhar os papéis do 3º e 5º cartórios de Títulos e Documentos do Rio de Janeiro, a equipe descobriu uma série de operações financeiras entre Teixeira, Rosell e Honigman. As transações movimentaram mais de 45 milhões de reais em promessas de compra e venda de ações da Alpes, corretora atuante na Bovespa. A Alpes sugere que as operações eram fraudulentas. Em nota aos autores do livro, a corretora esclareceu que Honigman não poderia ter feito as transações por nunca ter sido acionista da empresa ou ter poderes para tanto. “Ao que tudo indica, as transações eram de fachada, feitas para lavar dinheiro”, diz Ribeiro Jr. Embora ativa na Receita Federal, com dívidas tributárias de 700 mil reais, a Brasil 100% não funciona mais. Honigman deixou o País em 2008. Atualmente é investigado pela Polícia Federal por associação com o doleiro Alberto Youssef.
Com a desativação da Brasil 100%, Teixeira e Rosell retomaram a parceria na nova empresa do espanhol, a Ailanto Marketing. A empresa foi criada em maio de 2008 por Eduardo Duarte e Simone Burk Silva com um capital social de apenas 800 reais. Dono de uma consultoria de regularização de firmas, Duarte foi um dos investigados pela PF na Operação Alquimia, de 2011, que apurou o uso de empresas fantasmas para a sonegação fiscal.
Em 2 de julho de 2008, Rosell e sua secretária, Vanessa Precht, assumiram a Ailanto. Em menos de dois meses, o capital da empresa passou de 800 para 12,8 milhões de reais. Igualmente em tempo recorde assinaria seu primeiro grande contrato, a organização do amistoso da Seleção Brasileira em novembro de 2008. O jogo marcou a inauguração do Bezerrão, o novo estádio do Gama, no Distrito Federal. E garantiu um faturamento de 9 milhões de reais à recém-nascida empresa. O então governador, José Roberto Arruda, se dispôs a bancar a gastança com dinheiro público, sem licitação.
O contrato deveria ser firmado com a ISE, empresa árabe detentora dos direitos de comercialização de amistosos da Seleção. Mas a companhia cedeu os direitos à espanhola BSM, que, por sua vez, indicou a Ailanto. Detalhe: o documento da BSM tem a assinatura de Rosell. A empresa sediada em Barcelona também pertencia ao parceiro de Teixeira.
O procurador Marcos Souza e Silva cobrou, porém, o detalhamento dos gastos, bem como um laudo de capacidade técnica da Ailanto. A manobra usada por Rosell para despistá-lo, destaca o livro, é uma aula de malandragem. A Ailanto encaminhou ao procurador uma carta de aptidão expedida pela BSM, com a assinatura de Marta Rodriguez, à época esposa de Rosell. A declaração diz que a Ailanto organizara grandes eventos, entre eles o Campeonato Mundial de Esqui de Sierra Nevada, em 1996. Como seria possível se a empresa tinha seis meses de vida?
O superfaturamento foi comprovado após uma investigação requisitada pelo promotor Albertino Netto. Segundo a Polícia Civil, a Ailanto declarou, entre outras, ter gastado 900 mil reais com passagens aéreas para a Seleção, mas o valor foi de 617,7 mil. As diárias de hotéis tinham sobrepreço de 44%. Além disso, a Ailanto ficou com a receita da bilheteria, 1,3 milhão de reais, apesar de o poder público ter custeado todas as despesas.
Em junho de 2011, outra revelação da equipe da Record. No 1º Ofício de Registro de Títulos e Documentos do Rio, os jornalistas encontraram o contrato de arrendamento de uma das fazendas do cartola a Vanessa Precht, sócia da Ailanto. Assinado quatro meses após o amistoso, o documento previa o pagamento de 600 mil reais a Teixeira. Mas os funcionários da Fazenda Santa Rosa, em Piraí (RJ), nunca viram um arrendatário nas terras.
As investigações acabaram prejudicadas com a repentina morte do promotor Albertino Netto, vítima de um acidente de carro. Antes de seus colegas concluírem o caso, Teixeira deixou a presidência da CBF e refugiou-se em Boca Ratón, Flórida, em março de 2012.
Meses antes, Rosell ainda desfrutava das benesses da amizade com o presidente da CBF. Pegou carona no ônibus que levou os jogadores do Brasil ao estádio Ciudad de La Plata para uma partida pela Copa América, em 3 de julho de 2011. E ficou hospedado no mesmo hotel dos atletas, entre eles Neymar, com quem conversou longamente pelos corredores do hotel. Começaria ali a negociação de transferência do brasileiro para o Barcelona, sustenta o livro. O acordo entre Rosell e Neymar foi assinado poucos meses depois, mas ficou na gaveta por um bom tempo. Somente em maio de 2013 o time catalão anunciou a contratação do atacante, por 35 milhões de euros.
Não tardou para um sócio do clube, Jordi Cases, perceber um desvio de 40 milhões de euros na transação. Em janeiro de 2014, o jornal espanhol El Mundo colocaria mais lenha na fogueira, ao afirmar que o valor total seria de 95 milhões de euros, uma das contratações mais caras da história do futebol. Rosell foi forçado a admitir que o jogador tinha custado mais, 57 milhões. E renunciou à presidência do Barça.
Quando o amigo brasileiro caíra em desgraça, o espanhol não negou apoio. Seis meses após Teixeira deixar o Brasil, a Ailanto de Rosell comprou a participação da esposa do cartola em duas salas comerciais por 2,8 milhões de reais. Em junho de 2012, novo ato de caridade: depositou 3,8 milhões de reais na conta da filha de 11 anos de Ricardo Teixeira. A revelação foi do jornalista Juca Kfouri: “A impunidade é chocante. Teixeira teve tempo de transferir suas propriedades para parentes e fugir do País”.
O superfaturado amistoso da Seleção não era a única preocupação do cartola, embora não possa ser subestimado. “Ao assumir a CBF, em 1989, ele abdicou das receitas da Loteria Esportiva. Foi uma jogada de mestre. Como não administrava dinheiro público, não tinha de prestar contas aos órgãos de fiscalização”, comenta Azenha. “Mas o amistoso foi custeado pelos cofres públicos. Desta vez, ele poderia não se safar.”
Teixeira e Havelange estavam enredados em graves denúncias de corrupção na Fifa desde 2010. A rede britânica BBC revelou como a dupla recebeu propina da ISL. A empresa pertencia a Horst Dassler, dono da Adidas, antigo parceiro de Havelange, que ensinou o brasileiro a lucrar com os milionários pacotes de patrocínio e repartir as “comissões” entre dirigentes esportivos. O caso despertou a atenção do promotor suíço Thomas Hildebrand, que conseguiu furar o bloqueio de diferentes paraísos fiscais e perfazer o caminho da propina.
De 1992 a 1997, a ISL fez transferências totais de 9,5 milhões de dólares à Sanud, empresa sediada em Liechtenstein e sócia, no Brasil, da RLJ Participações, de propriedade de Teixeira e sua primeira esposa, Lúcia Havelange. O promotor suíço descobriu que a Sanud pertencia a Teixeira, fato que o cartola negou durante a CPI da Nike. A partir de 1998, os repasses da ISL passaram a ser feitos para outra empresa, a Rendfort, também controlada pelo ex-presidente da CBF. Os depósitos na conta da empresa somaram 21,9 milhões de francos suíços (perto de 61 milhões de reais).
Curiosamente, todo o processo foi desencadeado pela própria Fifa, ao cobrar da massa falida da ISL o repasse de um valor pago pela TV Globo pelos direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006. Em dificuldade financeira, a ISL concedeu um desconto à emissora brasileira na antecipação de uma parcela de 66 milhões de dólares. Mas a ISL quebrou em maio de 2001 sem nunca ter feito o repasse devido à Fifa. Blatter cobrou o débito na Justiça e colaborou para a fritura de Havelange. Executivos ligados à extinta ISL não hesitaram em vazar informações sobre o esquema.
Hildebrand teve o cuidado de informar às autoridades do Brasil os passos da investigação. Foi assim, sustentam os autores do livro, que a Receita Federal identificou a sonegação da TV Globo. Por meio da Globo Overseas, a família Marinho investiu nas Ilhas Virgens britânicas para formar outra empresa, a Empire. Um ano depois, ela seria dissolvida e, com seu capital, a Globo compraria o pacote da Fifa. Para o Fisco, tratou-se de uma manobra ilegal. A emissora foi condenada a ressarcir os cofres públicos 615 milhões de reais, valor do imposto mais multa. “Estranho é a Polícia Federal não ter sido acionada para investigar a eventual prática de lavagem de dinheiro”, comenta Ribeiro Jr.
Para evitar uma condenação na Suíça, os cartolas brasileiros fecharam um acordo e devolveram parte da propina. Teixeira desembolsou 2,5 milhões de francos suíços. Havelange, por sua vez, pagou 500 mil francos suíços. A punição parece branda, mas pela primeira vez a dupla viu-se obrigada a responder por seus atos na Justiça.
No Brasil, a impunidade continua. No episódio do amistoso da Seleção, a Justiça condenou o ex-governador Arruda e seu secretário de Esportes, Aguinaldo de Oliveira, por improbidade administrativa. A Ailanto de Sandro Rosell foi absolvida. Outro processo criminal, aberto em 2013, apura os crimes de falsidade ideológica e dispensa ilegal de licitação. Rosell e Arruda são réus, mas o ex-presidente da CBF está de fora.
Como o livro destaca, “não fosse o tribunal suíço, Teixeira talvez ainda reinasse absoluto no futebol brasileiro”. Faz sentido.
Fonte: http://www.cartacapital.com.br/revista/800/os-reis-da-maracutaia-4453.html

terça-feira, 20 de maio de 2014

Charges dos últimos dias: o que foi notícia retratada de forma bem humorada, mas sem perder a crítica (12 de maio a 20 de maio de 2014).


1383465 196878563832624 1271593308 n Hino da Copa 2014

newtonsilva4 MOMENTO FOFURA
Circo FIFA 580x371 Dá medo

elvis7 PESSOAS PERFEITAS


10289802 305340316292675 6016436011970791357 n Cuidado ao Dirigir a Vida!
Já GANHOU2 Já ganhou!

elvis6 SAÚDE BRASILEIRA

charge02 País inacabado


130514CHARGE BLOG DA FOLHA 011 Copa, para que te quero?

Pm e copa 560x420 Comemorando a Copa

newtonsilva CORRUPÇÃO DE PONTA

linchamentos na rede 580x386 linchamentos

newtonsilva1 BRASIL UM PAÍS DE OTÁRIOS
275 DIA DO TRABALHO


terça-feira, 22 de abril de 2014

Charges dos últimos dias: o que foi notícia retratada de forma bem humorada, mas sem perder a crítica (10 de abril a 22 de abril de 2014).

feriadão2 420x420 Feriadão

engarrafamentos 580x388 Engarrafamentos na Páscoa...


Sertão 2014 pascoa 567x420 Sexta Feira da Paixão

Gabriela Garcia Marquez Morre Gabriel García Márquez, gênio da literatura universal
14 04 2014Figurinhas Figurinhas carimbadas
boopo 422x420 COELHO DE PÁSCOA
genildo13 Morar no Brasil!

genildo12 Terminal!

passofundo1 comprovado: A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE

newtonsilva3 FOME DE BOLA
genildo4 A realidade transparece

newtonsilva2 ELEITOR BUNDÃO

segunda-feira, 31 de março de 2014

Mesmo com as divergências acerca da data do golpe que instituiu uma ditadura militar no Brasil em 1964, temos que buscar compreender os impactos desta situação no contexto nacional e internacional.
Foram 21 anos no qual os militares e grupos políticos e econômicos estiveram no poder e realizaram diferentes ações, com o ideal de combater o comunismo, dito como um mal a ser combatido no mundo ocidental capitalista. 
Quais as heranças desse período? Por que ainda os medos de se investigar de forma aprofundada este período? Por que ainda os arquivos secretos continuam com acesso restrito? Quando esta parte de nossa história será trabalhada de forma efetiva em sala de aula? Algumas de tantas perguntas que precisamos fazer e necessitamos de respostas, se quisermos pensar o Brasil e a democracia que estamos construindo. 



Militares e pesquisadores divergem sobre o dia do golpe

Danilo Macedo - Repórter da Agência Brasil 31/03/2014

O golpe militar de 1964 foi, durante muitos anos, estudado nos livros de história do Brasil como revolução militar. Defensores do regime que derrubou o governo do presidente João Goulart também o chamavam de contrarrevolução de 1964. O nome, no entanto, não é a única divergência sobre esse momento histórico. Militares, historiadores e pesquisadores discordam também sobre a data em que o golpe foi consumado.

“Os vencedores sempre escolhem como contar a história e, por isso, durante décadas, se comemorou no país, em 31 de março, o dia da revolução militar de 1964”, explica o professor da Universidade de Brasília (UnB) Virgílio Arraes, doutor em história das relações internacionais. Para ele, lembrar a data no dia 1º de abril - ­ “Dia da Mentira no Brasil e Dia dos Bobos nos Estados Unidos” - ­ poderia ser um sinal de descrédito, nacional e internacionalmente.

No dia 31 de março, à noite, o general Olímpio Mourão Filho, com apoio do governador de Minas Gerais, José Magalhães Pinto, seguiu com suas tropas de Juiz de Fora (MG) para ocupar a cidade do Rio de Janeiro, a cerca de 200 quilômetros de distância, e depor o presidente João Goulart (Jango). Chefes militares de todo o país, além dos governadores do estado da Guanabara, Carlos Lacerda, e de São Paulo, Adhemar de Barros, aderem ao movimento, que, para muitos autores, se efetiva no dia 1º de abril, um dia depois da data estabelecida pelos conspiradores, quando Jango deixa Brasília e vai para o Rio Grande do Sul, avaliar a possibilidade de uma reação.

o dia 1º, vários cidadãos são presos pelos militares, incluindo o então governador de Pernambuco, Miguel Arraes. Um dos marcos históricos da deposição de Jango, no entanto, é o discurso do senador Auro de Moura Andrade. Presidente do Congresso à época, ele declara, de forma inconstitucional, a vacância da Presidência da República.

O anúncio, apresentado nas primeiras horas da madrugada de 2 de abril, acrescenta mais uma data na história do golpe. Jango, que ainda estava no Brasil, não reagiu. O cargo foi assumido provisoriamente pelo então presidente da Câmara, Ranieri Mazilli, sob tutela de uma junta militar.

“Não é uma coisa banal, porque tem uma importância simbólica. Não aceitar o dia 31 é uma forma de denunciar o golpe”, avalia o professor Rodrigo Patto Sá Motta, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O historiador explica que os opositores ao golpe defendem a data de de 1º de abril como “uma estratégia de ridicularizar o movimento militar” que, desde o início, estabeleceu o 31 de março como Dia D.

“Do ponto de vista mais frio dessa história, a data que deveria ser lembrada é 31 de março ou 2 de abril, porque não há nenhum evento que justifique usar o 1º de abril como o dia do golpe”, opina Motta. Segundo ele, o movimento militar que culminou com o golpe se iniciou no dia 31 de março e foi vitorioso no dia 2 de abril, com Goulart deixando Brasília rumo ao Sul do país e sendo decretada a vacância da Presidência. “O dia 1º de abril não tem nenhuma razão objetiva para ser usado como data, a não ser essa brincadeira, gozação contra a ditadura, como o dia da mentira, uma data pejorativa e que tem um sentido político.”

Filho do presidente deposto, João Vicente Goulart relata que seu pai esperou a posse de Mazzili para ter certeza do golpe e partiu para o Uruguai apenas no dia 4 de abril. “Para mim, a data é o dia 2 de abril, quando se empossa Mazzilli e o governo norte­americano, duas horas depois, reconhece o novo governo brasileiro, com o presidente eleito [Jango] ainda dentro país.”

Visto como algo insignificante por alguns e como simbólico e nada ingênuo por outros, a polêmica sobre o data não influenciou a natureza do golpe, que levou o país a mais de duas décadas de regime militar. “É mais uma dessas coisas tipicamente brasileiras e não tem nada a ver, porque poderia ter sido em qualquer dia que não mudaria a substância da coisa, porque foi um golpe, a tomada pelo poder”, avalia o historiador da UnB Pio Penna, que defende 1º de abril como a data do golpe.

Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2014-03/13-golpe-militares-e-pesquisadores-divergem-sobre-dia-do-golpe


quinta-feira, 27 de março de 2014

Após a dissolução do governo da Ucrânia por movimentos populares, que segundo alguns contaram com apoio e financiamento de países ocidentais, devido a intenção de aproximação com a Rússia e não a União Europeia, o novo governo ucraniano passa a se aproximar dos ocidentais através de empréstimos financeiros com o FMI que irão impactar, como sempre no sistema neoliberal, na população que terá de arcar com os cortes nas questões sociais, bem como no aumento de impostos e juros.

A grande pergunta é: a quem interessava essa aproximação com a União Europeia? A resposta se apresenta rapidamente com as medidas de austeridade assinadas esta semana entre a Ucrânia e o FMI. Novamente um governo eleito democraticamente e legítimo é derrubado por um golpe que movimenta diferentes setores da população e ideologias, em prol do interesse capitalista e lucrativo de muitos poucos. 






27/03/2014 - 17h27 | Redação | São Paulo

Parlamento ucraniano aprova medidas de austeridade exigidas pelo FMI

Depois de inicialmente ter votado contra as medidas de austeridade exigidas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) em troca de ajuda financeira, o parlamento da Ucrânia aprovou nesta quinta-feira (27/03) uma lei a favor do pacote de cortes de gastos.
“A decisão que temos que tomar é extremamente impopular”, disse o líder nacionalista Oleh Tyaynibok ao parlamento. “Mas se essa decisão não for tomada, o presidente Vladimir Putin vai comemorar que a coalizão se dividiu”.
Os ucranianos vão pagar caro pelo empréstimo do FMI, que anunciou hoje ter chegado a um acordo com o novo governo. Os salários e as aposentadorias do funcionalismo serão congelados e os preços do gás vão aumentar -- 50% para a população, a partir de 1° de maio, e 40% para a indústria, a partir de 1° de julho --, conforme antecipou ontem a companhia local Naftogaz.
Além desses cortes, o FMI quer que as novas autoridades de Kiev adotem uma política cambial mais flexível. De acordo com o fundo, devem ser emprestados entre US$ 14 e 18 bilhões ao governo, chegando a US$ 27 bilhões em dois anos. A primeira parcela do empréstimo deve ser paga no final de abril.
O chefe da missão do FMI na Ucrânia, Nikolai Georgiev, declarou que os programas sociais para os mais pobres vão ser ampliados, para beneficiar 30% da população. Estão igualmente previstas medidas de combate à corrupção, "para que a Ucrânia tenha um crescimento sustentável", segundo o FMI.
O novo governo da Ucrânia, que tomou o poder quando o presidente Viktor Yanukovich foi deposto depois de meses de protestos de rua, disse que precisa desesperadamente de dinheiro para cobrir as despesas, incluindo as importações de gás e evitar um possível default da dívida. O primeiro-ministro Arseny Yatsenyuk falou que o país está “à beira da falência econômica e financeira” e que sua economia pode cair 10% neste ano, ao menos que medidas urgentes sejam tomadas.
No ano passado, a economia ucrania registrou um crescimento nulo, enquanto em 2012, o PIB (Produto Interno Bruto) havia crescido apenas 0,2%. No final de novembro, Yanukovich disse que as condições "draconianas" do FMI para outorgar um novo crédito foram a gota d'água para que ele suspendesse a assinatura do Acordo de Associação com a União Europeia.

Fonte: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/34568/parlamento+ucraniano+aprova+medidas+de+austeridade+exigidas+pelo+fmi+.shtml

segunda-feira, 24 de março de 2014

O Japão e sua cultura se caracterizam por reerguer-se das tragédias, seja naturais, como terremotos e tufões, seja as provocadas pela ação humana, como as guerras e as tragédias nucleares, como as bombas atômicas em 1945.

O acidente nuclear na usina de Fukushima é mais umas das tragédias que a sociedade japonesa necessitou e necessita superar, frente ao medo que a radiação e suas consequências produzem nas sociedades atuais. Desde o desenvolvimento de tecnologia que permitiu a utilização da energia nuclear, vários acidentes aconteceram ao redor do mundo e a dúvida sempre é quando e onde será o próximo. Energia nuclear: será que podemos viver sem ela? 

Três anos depois, a luta contra a radiação de Fukushima

Após sofrerem contaminação radioativa, moradores de Namie, próximo à usina, foram retirados do local e agora controlam, eles mesmos, seu estado de saúde
por Deutsche Welle — publicado 12/03/2014 04:54, última modificação 12/03/2014 09:10

Minako Fujiwara lembra com tristeza de seu cachorro, que morreu em junho do ano passado. "Ele perdeu os pelos do pescoço, e a pele escureceu", conta a japonesa de 56 anos. Tais sintomas também foram registrados em animais de Chernobyl. O cão de Minako morreu provavelmente por excesso de radiação. Quando a cidade de Namie, a nove quilômetros da usina nuclear de Fukushima, foi evacuada, a família teve que deixar o animal para trás.
Fora pressão alta, Minako não teve até agora qualquer problema de saúde. Mas o médico Shunji Sekine, de Namie, teme consequências radiológicas também para seres humanos. Em seu consultório, agora em Nihonmatsu, nas redondezas de um assentamento de contêineres que abriga 230 famílias retiradas de Namie, ele examina quase diariamente as tiroides dos habitantes da cidade abandonada. Segundo ele, principalmente crianças e adolescentes estão ameaçados pela captação de iodo radioativo.
"Até agora faltam estudos maiores, mas eu vejo uma conexão entre o acidente nuclear e o câncer", diz o médico, que até a sua aposentadoria no Hospital Universitário de Fukushima trabalhava como especialista em câncer de tiroide e de mama.
Segundo dados oficiais do início de fevereiro, em cerca de 250 mil crianças e adolescentes examinados foram encontrados 33 casos de câncer, ou seja, 13 ocorrências a cada 100 mil habitantes. A cifra é quase quatro vezes maior que a média mundial para todas as faixas etárias.
Mesmo assim, a administração de Fukushima não pretende publicar detalhes relevantes sobre os casos de câncer. Todas as perguntas de Sekine, como, por exemplo, sobre o antigo endereço das crianças com câncer e sobre o seu grau de contaminação permaneceram sem respostas sob alegação de respeito à privacidade de dados. Em vez disso, o assessor de saúde da administração municipal e principal especialista em tiroide do Japão, Shunichi Yamashita, tenta acalmar os ânimos: "Ainda não chegou a hora de se fazer qualquer afirmação. Para tal, ainda temos de esperar novos exames."
Autoridades se calam
Mas a cidade de Namie não quer esperar pela ajuda do governo – não é a primeira vez que uma cidade é, de certa forma, esquecida. Quatro dias após a explosão do reator, em 15 de março de 2011, veio a ordem para evacuar Tsushima, no noroeste. Os moradores foram então enviados para dentro de uma nuvem radioativa invisível e sofreram mais radiação do que se tivessem ficado em casa. As autoridades em Tóquio sabiam muito bem disso devido às previsões de computador. No entanto, elas se calaram, porque temiam pânico.
Devido a essa experiência traumática, Namie coleta o máximo possível de dados sobre os efeitos radioativos, como diz o chefe do departamento de saúde local, Norio Konno. "Queremos manter o controle sobre a saúde de nossos moradores", afirmou.
Se alguém quiser pedir uma indenização da Tepco, então precisa de provas judiciais. Por esse motivo, Namie adquiriu, por conta própria, um scanner corporal, que se encontra agora no assentamento de evacuados em Nihonmatsu. Todos os moradores com menos de 40 anos podem ser examinados, uma vez por ano, para constatar a presença de Césio 134 e 137. O Estado só oferece essa possibilidade apenas a cada dois anos.
Até agora, metade dos moradores de Namie aceitou esse exame extra. No entanto, alguns se recusaram a participar de forma consciente. Kazue Yamagi conta sobre sua filha de 21 anos, que se recusa a examinar a tiroide. "Ela se mudou de Fukushima e evita todas as notícias na TV", disse a mãe da jovem, com tristeza na voz. "Ela também não quer se casar. Ela diz que, como vítima da radiação, não tem mais futuro."
Estigma
Os Hibakusha, como são chamadas as vítimas da radiação de Hiroshima e Nagasaki, são estigmatizados até hoje no Japão. Por esse motivo, também para os que foram retirados de Fukushima deve haver uma lei de apoio como houve para as vítimas das bombas atômicas, exige o chefe do departamento de saúde local. "As pessoas de Namie também se sentem como Hibakusha. Os seus genes contaminados serão herdados ainda por gerações", afirma Konno.
Konno distribuiu passaportes de radiação a todos os moradores, da mesma forma que os usados em Hiroshima e Nagasaki. No passaporte, uma coluna, por exemplo, lembra o portador sobre a prevenção do câncer e o exame de leucemia.
Entre os 3.200 jovens moradores de Namie, houve até agora dois casos de câncer de tiroide. A cifra surpreendeu Shinjii Tokonami, especialista em radiação da Universidade Hirosaki, que assessora a cidade de Namie: "É maior do que o esperado. Possivelmente, o motivo disso está na grande precisão dos aparelhos. É preciso esperar cinco anos e depois mais cinco anos", disse o especialista. "Então podemos dizer alguma coisa."
Mas ele já tem uma tese própria: na verdade, deveria haver até mais casos de câncer de tiroide do que aqueles já constatados. Mas os moradores da costa comem grande quantidade de algas que contêm iodo, disse Tokonami. Por isso, nas tiroides de muitos jovens, sobrou pouco lugar para o iodo contaminado que o reator nuclear espalhou sobre Fukushima.
Autoria Martin Fritz (ca)                                          Edição Rafael Plaisant

Fonte:http://www.cartacapital.com.br/internacional/tres-anos-depois-a-luta-contra-a-radiacao-de-fukushima-5004.html