Metamorfoses Históricas: História, livros, músicas, cinema e motos!

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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Um evento realizado de forma secreta e sigilosa e que somente quase 6 meses depois foi tornado público: a exumação do corpo de Dom Pedro I e suas duas esposas, sepultados em São Paulo.
Um trabalho inovador no que se refere aos estudos históricos no Brasil e que revelou algumas novas faces do Primeiro Reinado. Um trabalho que pode servir de exemplo e inspiração para outros pesquisadores em nosso país, tão carente ainda de incentivo no financiamento aos trabalhos de historiadores, que muitos vezes precisam se dividir entre a docência e a pesquisa. 
Vale a pena conhecer um pouco mais desse parte de nossa história, revelada de uma forma inédita!

Caveiras ilustres

Corpos da família imperial brasileira são exumados para preservar patrimônio histórico.


Por: Henrique Kugler                                                                              Publicado em 02/05/2013

 
Caveiras ilustres
Entre fevereiro e setembro de 2012, os restos mortais de Dom Pedro I e suas duas esposas foram submetidos a diversos exames. Na foto, o corpo exumado de Amélia de Leuchtenberg passa por uma tomografia. (foto: Valter Muniz) 
 
E não é que perturbaram o sono eterno do primeiro imperador do Brasil? Os restos mortais de Dom Pedro I (1798-1834) foram exumados. E, com eles, também saíram da cripta os corpos de suas duas esposas: as imperatrizes Leopoldina de Habsburgo (1797-1826) e Amélia de Leuchtenberg (1812-1873).


Foi um delicado processo; lembrou até uma operação militar. Um sigiloso esquema de segurança foi arquitetado para o transporte dos esquifes desde o local onde estavam – o Monumento à Independência, na capital paulista – até o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Lá foram submetidos, entre fevereiro e setembro de 2012, a exames de tomografia, radiologia e ressonância magnética.


“O principal objetivo da exumação foi garantir a preservação dos remanescentes humanos e dos artefatos que se encontravam nas urnas funerárias”, diz a arqueóloga Valdirene Ambiel – o trabalho é parte de seu mestrado, concluído em fevereiro no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. “Um dado que sempre me preocupou foi a umidade presente na capela imperial, no interior do monumento onde jazem os corpos”, diz a pesquisadora.
 
Quando chove, acumula água. As paredes são preenchidas com terra. Há infiltrações. Não que isso incomode o descanso fúnebre, mas, considerando a preservação desse patrimônio histórico, Ambiel constatou que há muito a se melhorar na infraestrutura do sepulcro da realeza.

Trabalharam nessa empreitada mais de uma dúzia de cientistas das mais variadas áreas – da história à biologia, da arqueologia à física. “Mobilização talvez inédita na pesquisa histórica e arqueológica no Brasil”, comenta o historiador Maurício Ferreira Jr., diretor do Museu Imperial, em Petrópolis (RJ).

 

Dom Pedro I: esclarecimentos e causos


Por desastrado que pareça, o paradeiro funerário de Dom Pedro I era um tópico não muito bem resolvido. Alguns diziam que ele fora cremado. Outros, que seus restos estariam em qualquer outro lugar que não no Monumento à Independência. A exumação liderada por Ambiel pôs fim à contenda. Dom Pedro I de fato está lá, em carne e osso (no caso, só em osso). Detalhe: seu coração – como já se sabia – está preservado em um mausoléu na Igreja da Lapa, na cidade do Porto, em Portugal.


Duas foram as confirmações obtidas com a exumação do monarca. Primeiro: sua estatura era de algo entre 1,66m e 1,73m. “Diziam que ele era baixinho”, brinca Ambiel. “Mas essa é uma altura bem razoável para a época.” Segundo: ele teve quatro costelas quebradas, o que provavelmente prejudicou o pulmão e agravou seu quadro de tuberculose – doença que o levou à morte aos 36 anos. Conta-se que ele caiu do cavalo, em 1823. E, em 1829, capotou uma carruagem que ele mesmo guiava – faltou-lhe maestria na direção.
Tomografia de Dom Pedro I
Tomografia de Dom Pedro I. Em seu caixão foram encontradas medalhas, comendas, botões e abotoaduras, além de fragmentos de tecido e o salto de sua bota. Parte dessas peças deve ser doada ao Museu Imperial de Petrópolis. (foto: Faculdade de Medicina da USP)
Dom Pedro I foi enterrado com vestes de general. Em seu caixão foram encontradas medalhas, comendas, botões e abotoaduras, além de fragmentos de tecido e o salto de sua bota. “O material foi higienizado e acondicionado; está agora no Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo.” A arqueóloga pretende doar algumas das peças ao Museu Imperial de Petrópolis – mas para isso aguarda permissão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).



Leopoldina: abandono e ciência


Essa austríaca mal compreendida foi a primeira esposa de Dom Pedro I. Portanto, a primeira imperatriz do Brasil. Casaram-se por correspondência – como era comum aos aristocratas da época – e conheceram-se meses depois. De acordo com a historiadora Mary Del Priore, foi uma relação conturbada, “uma história de maus-tratos e solidão”, escreve em seu último livro, A carne e o sangue (editora Rocco, 2012).


Entre as fofocas imperiais, conta-se que Dom Pedro I teria empurrado Leopoldina da escada com um pontapé – quando ela estava grávida. Na queda, segundo alguns, a imperatriz teria fraturado o fêmur. E também perdido o bebê. “Mas, ao contrário do que registram certos livros de história, a exumação não aponta nenhuma fratura no fêmur”, garante Ambiel. “É bom deixar claro que esse episódio é uma lenda.” Boletins médicos de 1826 sugerem que o feto tenha morrido em função de um aborto; e não de um trauma.
Restos mortais de Dona Leopoldina
Restos mortais de Dona Leopoldina, primeira imperatriz do Brasil. De acordo com a exumação, ela tinha entre 1,54m e 1,60m de altura. (foto: Luiz Roberto Fontes)
Leopoldina foi casada durante nove anos, passou por nove gestações e pariu sete filhos (entre eles o herdeiro do trono, Dom Pedro II). Sua vida e sua morte até hoje dividem opiniões. Uma contribuição insuspeita, no entanto, é frequentemente esquecida: a imperatriz foi uma das responsáveis pela vinda, ao Brasil, da missão austríaca – sob os auspícios da qual aportaram em nossas terras importantes zoólogos, botânicos e artistas, que viajaram pelo país e publicaram dois importantes clássicos: os livros Viagens pelo Brasil e Flora brasiliensis. “Leopoldina gostava de se afirmar como uma ‘cientista amadora’”, lembra Ambiel. “Ela era uma figura popular e querida no Brasil do século 19.” Novo dado: segundo a exumação, ela tinha entre 1,54m e 1,60m de altura.

Amélia: nobreza mumificada

Eis que a historiografia brasileira se vê diante de uma surpresa: o corpo de Amélia, segunda esposa de Dom Pedro I, foi mumificado. “Essa informação era desconhecida”, diz a arqueóloga. “Não imaginávamos que era uma múmia.” Não se sabe, entretanto, por que ela fora mumificada. “Pode ter sido um ‘acidente de percurso’”, cogita Ambiel, referindo-se ao fato de que, para seu funeral, o corpo foi preparado com uma solução de cânfora que pode ter sido útil para frear o processo de decomposição.

A imperatriz morreu em Lisboa em 1876, e seu caixão foi trazido à cripta imperial em 1982. “Foi colocado no interior das paredes do monumento; tivemos de procurar, pois ninguém sabia sua localização exata.” (Detalhe: no Monumento à Independência, seu nome está incorreto. Na lápide lê-se “Maria Amélia”, mas seu primeiro nome era apenas “Amélia”). Após os estudos – a bem conservada senhora tinha estatura entre 1,60m e 1,66m – ela foi ‘remumificada’.
Múmia de Dona Amélia
Múmia de Dona Amélia, segunda imperatriz do Brasil, prestes a passar por tomografia. Os historiadores não sabiam até a exumação que ela tinha sido mumificada. Após os estudos, Amélia – com estatura entre 1,60m e 1,66m – foi 'remumificada'. (foto: Beatriz Monteiro)
Na história do Brasil, Amélia nunca foi figura central – ela esteve no país entre 1829 e 1831. Curto período. Mas foi o bastante para que instituísse na corte a língua francesa. Sobre sua relação com o imperador, Del Priore conta que era algo “sem graça”. Dom Pedro I poderia ter muitos méritos; mas não era um galanteador de primeira linha. “Ele não tinha assunto e falava francês muito mal”, reclama a donzela em seu diário, após um encontro. Nas mesmas páginas, Amélia conta que teve de “se beliscar para não dormir”. Há quem diga, entretanto, que os dois se amavam como pombinhos. Discussão para historiadores.

De qualquer maneira, conta-se que os últimos anos de Amélia foram profundamente marcados pela morte do marido e da filha – ambos por tuberculose. Enlutada em tamanha perda, dedicou-se a obras de caridade. E assim mandou construir, na Ilha da Madeira, em Portugal, um hospital para o tratamento de tuberculosos. O local permanece ativo até os dias de hoje.


“A exumação dos corpos foi apenas uma primeira etapa”, diz Ambiel. Com as amostras de DNA coletadas, novos dados poderão vir à tona. O trabalho abre espaço para a arqueopatologia – ciência que estuda remanescentes de doenças pretéritas –, um campo ainda pouco explorado no país. Ainda este ano, o Museu Imperial deve publicar o trabalho de Ambiel em forma de livro.

Também para fins de divulgação, a equipe estuda a possibilidade de lançar um documentário. Quanto à família imperial brasileira, querelas e intrigas históricas estão longe de um fim. “Cada historiador é livre para pensar e publicar o que quer”, diz Ambiel. “Mas, como historiadora, não posso acreditar em verdades.”

Henrique Kugler - Ciência Hoje/ RJ

Fonte:  http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2013/302/caveiras-ilustres

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A arqueologia sempre nos surpreende com suas descobertas, suas interpretações e análises. A Antiguidade Clássica sempre nos surpreende pelas possibilidades ainda de novidades, como o caso descrito na reportagem abaixo, que através das fontes documentais, os pesquisadores conseguem aproximar a narrativa da realidade das ruínas encontradas por toda a Europa, neste caso. 
Importante se a arqueologia fosse também incentivada com maior ênfase em terras brasileiras, pois muito de nosso passado perde-se pela falta de investigação e conservação do patrimônio. Cuidado que a entrada do mundo inferior pode estar aberta....

O portão de Plutão?

Publicado em 08/04/2013
Arqueólogos italianos podem ter encontrado uma porta para o ‘mundo inferior’, descrita em históricos textos gregos e romanos. 

Uma simulação digital de como seria a recém-descoberta 'Porta do Inferno' nos tempos do Império Romano. O local era rota de peregrinação naquela época. (imagem: Francesco D'Andria) 
 
Cientistas italianos descobriram a porta para o ‘inferno’. Calma, não se trata de um sinal do apocalipse. Na verdade, um grupo de arqueólogos italianos encontrou ruínas de um antigo templo que a tradição romana diz abrigar um portal para o mundo inferior, o hades. 

Segundo escritos de cerca de dois mil anos, esse templo estaria localizado próximo à antiga cidade romana de Hierápolis (perto da atual Pamukkale, na Turquia). Dedicado a Hades (Plutão) e Perséfone (Core), ele abrigaria uma espécie de caverna com vapores altamente mortais, a tal ‘porta do inferno’ – descrita pelo historiador grego Strabo como um local "cheio de um vapor tão nebuloso e denso que dificilmente era possível ver o chão" e no qual "qualquer animal que entre encontra a morte instantânea". 

Lugar bacana, não é? Pois bem, naqueles tempos a cidade estava na rota de muitos peregrinos que circulavam pela região. Conforme o arqueólogo Francesco D'Andria, da Universidade de Salento (Itália), declarou ao Discovery News, a maioria dos visitantes do templo vinha em busca da água da fonte existente no local, capaz de produzir profecias e visões em sonhos – e ainda aproveitava as fontes termais das proximidades. 

A descoberta do complexo foi feita a partir da reconstrução das rotas para essas fontes. Em meio às muitas ruínas do local, os italianos identificaram um templo dedicado às deidades do hades e evidências arquitetônicas que batem com as descrições históricas. 
Portão de Plutão
O sítio encontrado pelos arqueólogos apresenta características muito semelhantes ao local descrito nos textos históricos. As inscrições indicam um templo dedicado a Hades (Plutão) e Perséfone (Core), senhores do mundo inferior. (foto: Francesco D'Andria)
Fora seu aspecto místico, a letalidade da caverna era quase ‘turística’: os pesquisadores explicam que, apesar de serem proibidos de se aproximar da entrada, os peregrinos assistiam aos ritos dos degraus e recebiam pequenas aves para serem levadas até a abertura e comprovar os efeitos fatais. 
 
Os sacerdotes também bebiam da água alucinógena e sacrificavam touros em honra a Plutão. Os próprios arqueólogos comprovaram os efeitos dos vapores durante as escavações: diversos pássaros que se aproximaram da abertura quente morriam imediatamente com o vapor tóxico. 

Segundo D'Andria, a descoberta é excepcional por confirmar informações que só existiam em fontes históricas muito antigas. Ele explica que o templo era popular até o século 4 e foi visitado até o século 6. Com o crescimento do catolicismo, no entanto, acabou abandonado – e, posteriormente, destruído por terremotos e intempéries. 

Os pesquisadores trabalham, agora, na reconstrução digital do local. Essa não foi a primeira descoberta polêmica e mística do grupo: dois anos atrás, eles anunciaram ter encontrado, na mesma região, um túmulo que pode ter pertencido ao apóstolo Felipe, um dos doze discípulos de Jesus Cristo, segundo a Bíblia. 

Porta dos fundos?

Saindo um pouco da mitologia e da antiguidade, o nosso mundo já possui outra ‘porta para o inferno’, essa bem mais moderna. Localizada não muito longe dali, na região de Derweze  (ou Darvaza), no Turcomenistão, ela arde em labaredas incandescentes desde a década de 1970. No entanto, muito longe de ser obra de algum deus da antiguidade, esse portão em pleno deserto de Karakum é fruto da ação humana.
Derweze
No deserto do Turcomenistão, uma outra 'porta para o inferno', que nada tem a ver com deuses antigos, mas com a economia moderna. (foto: Wikimedia commons)

No início da década de 1970, a então União Soviética pretendia explorar os ricos depósitos de gás natural da região. Quando o chão abaixo da plataforma de perfuração cedeu, criou um buraco de cerca de 70 metros de diâmetro que liberava gás natural na atmosfera. Para prevenir seus efeitos tóxicos, os geólogos decidiram que a melhor opção seria ‘tacar fogo em tudo’, na esperança de que, em algumas semanas, o reservatório se esgotasse. Resultado: o regime comunista acabou, a União Soviética se esfacelou e o nosso ‘inferno moderno’ continua a arder e a espalhar um forte odor pela região. 

Apesar de nenhum templo ter sido construído e de ninguém sacrificar touros por lá, Darvaza se tornou também uma atração turística – até a tribo que habitava a região foi expulsa de lá em 2004, para não ‘incomodar’ os visitantes. Desde 2010 o governo do país vem buscando formas de fechar a porta ou ao menos limitar a sua influência no desenvolvimento de outros campos de extração de gás natural na região. 

Marcelo Garcia 
Ciência Hoje On-line

Fonte:http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2013/04/o-portao-de-plutao/view
 

quinta-feira, 14 de março de 2013

As mudanças climáticas sempre geram controvérsias e discussões acaloradas, sobre os efeitos da ação humana na exploração desenfreada dos recursos naturais, em especial a partir da Revolução Industrial (meados do século XVIII).

Segundo os cientistas, o planeta está cada vez mais quente. Um processo mudanças ao longo da história natural do planeta, marcado por drásticas mudanças em alguns bilhões de anos. 

O desafio para o futuro e as próximas gerações é saber lidar com este legado da história natural do planeta de transformações e o nosso legado, enquanto humanidade e sua voracidade em explorar, explorar e consumir os recursos naturais, em sua maioria, não-renováveis em curtos espaços de tempo.

Temperaturas globais ultrapassarão os registros no século 21

 Por Sid Perkins e revista Nature

Um estudo sugere que, atualmente, temperaturas médias globais estão mais altas do que estiveram por aproximadamente 75% dos últimos 11.300 anos. E se modelos climáticos servem de qualquer indicação, até o fim deste século elas serão as mais altas desde o fim da era glacial mais recente.

Registros instrumentais do clima só chegam até o fim do século 19. Para antes disso, cientistas dependem de análises de crônicas naturais como anéis de árvores e proporções de isótopos em formações de cavernas.

Mas mesmo esses arquivos têm seus limites: muitas reconstruções detalhadas do clima, particularmente da temperatura, só se aplicam a regiões limitadas ou no máximo se estendem alguns milênios, declara Shaun Marcott, cientista climático da Oregon State University em Corvallis.

Marcott e seus colegas decidiram reconstruir tendências climáticas globais até 11.300 anos atrás, quando o Hemisfério Norte estava saindo da mais recente era do gelo. Para fazer isso, eles coletaram e analisaram dados reunidos por outras equipes. Os 73 registros climáticos sobrepostos que eles consideraram incluíam núcleos de sedimentos perfurados de fundos de lagos e mares ao redor do mundo, além de um punhado de núcleos de gelo coletados na Antártica e na Groenlândia.

Cada uma dessas crônicas tinha pelo menos 6.500 anos, e cada uma delas incluía um período de base começando em meados do período pós-era-glacial, em 3550 a.C.

Imagem cortesia de AIRS Science Team, NASA/JPL
 Temperaturas da Terra (vistas aqui por um sensor infravermelho do satélite Aqua, da Nasa) estão prestes a se tornar tão quentes quanto após a última era do gelo  

 

Para alguns registros, os pesquisadores inferiram temperaturas passadas a partir da proporção de íons de magnésio e cálcio nas cascas de criaturas microscópicas que morreram e foram parar no fundo do mar; para outros, eles mediram as distâncias de moléculas orgânicas de cadeia longa chamadas de alquenonas que ficaram presas nos sedimentos.

Depois da era do gelo, descobriram eles, as temperaturas globais médias subiram até atingirem um platô entre 7550 e 3550 a.C. Então uma tendência de resfriamento de longo prazo se estabeleceu, atingindo sua temperatura extrema mais baixa entre 1450 e 1850.

Desde então, temperaturas vêm aumentando a uma taxa dramática: da primeira década do século 20 até o presente, temperaturas globais médias variaram praticamente de seu ponto mais frio desde a era do gelo até  seu mais quente, relataram Marcott e sua equipe na Science de 7 de março.

Contexto climático

As tendências de temperatura que a equipe identificou nos últimos dois mil anos são estatisticamente indistinguíveis de resultados obtidos por outros pesquisadores em um estudo anterior, observa Marcott. “Isso aumenta nossa confiança no resto de nosso registro”, adiciona ele.

Marcott e seus colegas “reuniram um conjunto bastante impressionante de representantes climáticos”, elogia Gavin Schmidt, cientista climático do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa, em Nova York.“O quadro climático geral já está claro há muito tempo, em sua maioria para o Hemisfério Norte, mas essa compilação realmente põe o resto do mundo em contexto”, adiciona ele.

“Antes desse estudo, pesquisadores só podiam imaginar se temperaturas globais haviam excedido a parte mais quente do atual período interglacial”, explica Darrell Kaufman, geólogo da Northern Arizona University em Flagstaff. As novas descobertas mostram que as recentes temperaturas altas não são necessariamente as mais quentes, mas são incomumemente altas, aponta ele.

As tendências de temperatura durante grande parte do período pós-era-glacial se adequa às esperadas de fatores naturais como a variação de longo prazo no eixo da Terra, aponta Marcott. Mas nos últimos 150 anos, emissões industriais do gás dióxido de carbono aumentaram – o que ajuda a explicar porque temperaturas globais subiram tão rápido em décadas recentes, sugere ele.

Modelos climáticos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas sugerem que até o fim deste século, independentemente de emissões futuras de dióxido de carbono, temperaturas atingirão seu ponto mais alto desde o fim da era glacial mais recente, concluem os pesquisadores.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 7 de março de 2013. 

Fonte:http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/temperaturas_globais_serao_as_mais_altas_dos_ultimos_onze_mil_anos.html

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013



2012 ficou marcado para uma quantidade significativa de pessoas como o ano que o mundo iria terminar. Fiquei muito, mas muito preocupado mesmo, (não com o fim do mundo obviamente) mas a forma como essa ideia era levada a sério por pessoas que convivia diariamente. Na véspera, ouvi comentários de pessoas que não iriam trabalhar no dia 21 de dezembro com medo do fim do mundo... 

Embora não concorde com alguns trechos, o texto a seguir de Ulisses Capozzoli, editor-chefe da Revista Scientific American Brasil é uma boa dica de como precisamos acreditar e divulgar menos boatos e trabalharmos mais para a melhoria do mundo em que vivemos!



Um retorno à Idade Média 
                                                                                                   
Ulisses Capozzoli
 
Terminar 2012 sob boataria, prevendo o fim do mundo em 21 de dezembro, certamente merece alguma reflexão.
Na segunda década do século 21, quando a Voyager-2 se encontra a mais de 18 bilhões de km da Terra, uma navegação que convive com temores típicos do passado pré-científico evoca um paradoxo perturbador.

Navegamos rumo a outras estrelas, ao mesmo tempo em que retrocedemos no tempo e vivenciamos temores típicos da Idade Média.

O que levou multidões nas mais diferentes regiões do mundo a dar crédito a uma fabulação sem qualquer sentido racional e temer, uma vez mais, o fim da humanidade?
Várias questões podem ser levadas em conta para uma resposta possível e, em conjunto, é possível que elas forneçam uma ideia satisfatória.
Vivemos uma crise de valores em que, de maneira geral, o que era não é mais e o que deve ser ainda não é.

A sucessão e o ritmo de mudanças a que estamos submetidos dificulta a percepção de uma ideia de processo e o resultado disso é um movimento desencontrado, profundamente desestabilizador do ponto de vista da estabilidade emocional.
Em pleno século 21 é possível que, com a ideia de fim do mundo, tenhamos de volta conceitos típicos de uma época pré-científica, da ciência mágica que antecedeu a ciência moderna.

É como se tudo pudesse ser processado de um único golpe e assim fosse possível retornar àquilo que os mitólogos conhecem como a “idade dourada”, uma época em que, supostamente, habitássemos o paraíso.

É possível que estejamos vivendo um retrocesso orquestrado por certo fundamentalismo de fundo religioso, refratário a princípios de racionalidade que formam a base do pensamento científico e de uma realidade pretensamente contemporânea.
Como o mundo não acabou, que justificativa fornecerão aos incautos que lhes deram crédito uma diversidade de gurus, embusteiros, oportunistas e desajustados psíquicos de várias ordens?

Seguramente dirão que rituais, entre outras práticas desenvolvidas em diferentes regiões do mundo, tidas como “seguras para enfrentar o fim do mundo”, foram  responsáveis pela manutenção da naturalidade das coisas, ou seja, impediram que o mundo viesse abaixo como anunciado.

E assim continuarão explorando um filão rentável que extrai do desconhecimento mínimo de princípios naturais, lucros e outras vantagens indevidas.
Talvez não faça sentido atribuir a uma indústria de entretenimento gananciosa e desprovida de elementares sentidos de ética a responsabilidade por este momentâneo (?) retorno ao obscurantismo.

Mas não se pode dizer que essa versão inescrupulosa da indústria de lazer não tenha dado sua contribuição significativa para que as coisas tenham chegado a esse nível de retrocesso.

Ainda na quinta-feira à noite, pelo menos dois canais de uma rede de TV por assinatura alimentavam um clima de dúvida e insegurança numa programação com a participação de “autores” e “pesquisadores” , gente destituída de qualquer base lógica, para não falar em equívocos elementares, erros grotescos e citações e comparações despudoradamente indevidas.

O mundo de fato não acabou. Mas talvez não esteja muito longe disso.
As trevas do obscurantismo, oportunismos e retrogradação há muito tempo não demonstravam o quanto estão manipulando a história das mentalidades.

Fonte: http://blogdasciam.blog.uol.com.br/

quarta-feira, 18 de julho de 2012


Leonardo da Vinci é um dos daqueles sujeitos históricos que viveu em uma época, mas suas ideias eram para séculos posteriores! Uma pessoa com múltiplas potencialidades que ficaram para a História através de sua vasta produção. A exposição apresentada no texto abaixo, nos apresenta o lado "médico" desse personagem, marcado também por enigmas, explorados pela ficção e por cientistas ao longo dos séculos.


Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci


O anatomista Leonardo da Vinci

Publicado em 13/07/2012
Mostra em Londres exibe estudos anatômicos inéditos e de surpreendente valor científico do artista.
O anatomista Leonardo da Vinci
‘O sistema cardiovascular e principais órgãos femininos’, de 1509, é um dos destaques da mostra em Londres. A imagem reflete uma crença bastante difundida na época, de que o útero feminino era formado por sete câmaras. (foto: The Royal Collection)
A exposição ‘Leonardo da Vinci, Anatomista’, em cartaz em Londres, mostra pela primeira vez estudos anatômicos feitos pelo artista entre 1485 e 1513. Parte de um tratado sobre anatomia que nunca chegou a ser publicado, o material é cientificamente superior à ciência que estava sendo praticada na época.
Os cadernos expostos na Royal Collection, no Palácio de Buckingham, mostram ilustrações e anotações, feitas em sua característica escrita espelhada, representando e descrevendo órgãos humanos e animais. Da Vinci utilizou técnicas de visualização inovadoras para a época, como secções transversais, representação em planos e a ‘vista explodida’, em que cada elemento da imagem é representado separadamente.“Os desenhos de Leonardo estão entre as melhores representações do corpo humano já criadas. Se tivesse publicado seu trabalho, ele seria conhecido como um dos grandes cientistas da história”, comenta Martin Clayton, curador da exibição.
O artista também teve a ideia de usar práticas comuns em escultura para seus estudos anatômicos, como injetar cera derretida dentro dos ventrículos do cérebro para, depois de seca, poder dissecá-lo observando as estruturas e cavidades em seu formato original.
No começo dos estudos anatômicos de Da Vinci, por volta de 1480, grande parte dos desenhos era baseada em dissecações de animais ou mesmo nas crenças da época, como mostra uma representação de cabeça humana em que os olhos estão diretamente ligados às três câmaras no cérebro, nas quais, acreditava-se, eram processadas as informações e armazenada a memória.
Representação do cérebro
Este estudo de uma cabeça humana (1485-90) mostra uma representação do cérebro de acordo com as crenças da época, com três câmaras onde estariam localizadas as informações e a consciência. (foto: The Royal Collection)
Posteriormente, Da Vinci passou a ter acesso a corpos humanos para estudo. Ao contrário do que se acredita, a dissecação humana não era crime na época, e Leonardo da Vinci abertamente relata ter dissecado mais de 30 corpos. Só no inverno de 1510-1511, trabalhando com o professor de anatomia Marcantonio Della Torre, da Universidade de Pádua, o artista teve acesso a 20 corpos.
Entre as ilustrações do aparelho reprodutor, fonador, do sistema nervoso e várias outras partes do corpo humano, também é possível ver estudos feitos para obras específicas, como o Judas na Última Ceia’ ou os cavalos e guerreiros da Batalha de Anghiari.
Porém, segundo Peter Abrahams, professor de anatomia clínica na Warwick Medical School, no Reino Unido, o trabalho de Da Vinci é “muito superior” à grande parte do trabalho de Vesalius, considerado o pai da anatomia moderna. “Se esses estudos tivessem sido publicados na época em que foram feitos, eles teriam tirado o livro de Vesalius do mercado”, observa Abrahams.Após a morte de Da Vinci em 1519, seus cadernos foram guardados e esquecidos. Em 1543, o anatomista belga Andreas Vesalius publicou o que seria o mais importante tratado anatômico da história, De humani corporis fabrica, considerado até hoje um divisor de águas na história da medicina.
“Comparados às ilustrações de 'Gray’s Anatomy' [livro clássico do estudo da anatomia], feitas no início do século 19, as ilustrações de Da Vinci transmitem mais vida e uma compreensão melhor do assunto”, diz Gus McGrouther, professor de cirurgia plástica e reconstrutiva na Universidade de Manchester.
No século 17, os cadernos com os estudos anatômicos de Da Vinci foram adquiridos pela família real inglesa e passaram a fazer parte da Royal Collection. Mas apenas muito tempo depois, em 1900, eles seriam “redescobertos” e seu devido valor finalmente compreendido.
Mãos
Nestas imagens de ossos, músculos e tendões da mão (1510), Da Vinci usa técnicas de visualização como a separação em planos ou a ‘vista explodida’ para mostrar claramente todos os elementos anatômicos. (foto: The Royal Collection)
Simultaneamente à exposição, a Royal Collection lançou um aplicativo para iPad com todos os 268 desenhos expostos na galeria, que podem ser ampliados, manipulados e analisados em todos os seus – muitos – detalhes, juntamente com a tradução para o inglês dos textos dos cadernos. Para quem não tem acesso ao aplicativo, a Royal Collection também disponibiliza imagens de todos os desenhos em seu website. 

Confira galeria de fotos com seleção de desenhos expostos na mostra de Londres

Fonte:http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2012/07/o-anatomista-leonardo-da-vinci/view

terça-feira, 10 de julho de 2012


Os cientistas vêem buscando conhecimentos a séculos e embora as vezes parece que nada mais há para ser descoberto, novas possibilidades se abrem com as inovações tecnológicas. Quais as implicações e aplicações deste nova descoberta? Quais os impactos para a sociedade? Questões que ficam para o futuro desse projeto de pesquisa...

Bóson de Higgs pode ter sido encontrado

05/07/2012 - 11h32 | Elton Alisson | Agência FAPESP | São Paulo

Um dos maiores desafios da ciência pode estar chegando ao fim. Cientistas que participam dos experimentos no Grande Colisor de Hádrons (LHC) anunciaram nesta quarta-feira (04/07) ter encontrado fortes indicativos da existência de uma nova partícula subatômica, que pode ser o bóson de Higgs.
Procurado há quase meio século pelos físicos, o bóson de Higgs é uma chave fundamental para entender por que partículas elementares têm massa e poderá levar até mesmo a uma nova compreensão da origem do Universo e da vida. O bóson é até o momento uma partícula hipotética postulada em 1964 pelo físico britânico Peter Higgs.
A descoberta do bóson seria a completa validação do Modelo Padrão da física de partículas, teoria que descreve as forças fundamentais forte, fraca e eletromagnética, bem como as partículas fundamentais que constituem toda a matéria.
O anúncio foi feito por cientistas que participam das colaborações Atlas (A Toroidal LHC Apparatus) e CMS (Compact Muon Solenoid), conduzidas no LHC da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern), na Suíça. Os dois experimentos contam com a participação de pesquisadores do Brasil.
“Acho que encontramos”, disse Rolf Heuer, diretor-geral do Cern, que chamou a descoberta de “marco histórico”. Tanto físicos de partículas do Atlas como do CMS encontraram indicações da presença de uma nova partícula com massa em torno de 125 ou 126 bilhões de elétrons-volt (GeV). O próprio Higgs, aos 83 anos, estava no Cern durante o anúncio.
As indicações da nova partícula foram identificadas a partir da análise de trilhões de colisões entre partículas realizadas no LHC em 2011 e 2012. O Modelo Padrão da física de partículas estipula que o bóson de Higgs decairia em diferentes partículas, justamente o que o LHC acaba de detectar.
Análises detalhadas da descoberta serão apresentadas no decorrer desta semana na Conferência Internacional de Física de Altas Energias (ICHEP 2012), em Melbourne, Austrália. 

Cautela e confirmação
De acordo com Sérgio Novaes, coordenador do Sprace (Centro de Pesquisa e Análise de São Paulo) e professor do IFT (Instituto de Física Teórica) da Unesp, a comprovação da descoberta do bóson de Higgs ainda levará algum tempo. “Apesar de os eventos sugerirem que estejamos diante do bóson de Higgs, a confirmação de que se trata realmente da partícula predita pelo Modelo Padrão requer mais medidas comparativas”, disse.
O bóson de Higgs é uma partícula instável, que sobrevive por uma pequena fração de segundo antes de decair em outras partículas. Por conta disso, as experiências só podem observar tal partícula pela medida dos seus produtos.
Em 1967, o mecanismo teórico estipulado por Higgs foi incorporado pelo físico norte-americano Steven Weinberg em uma teoria para explicar as partículas elementares do Universo, denominada Modelo Padrão. Segundo o modelo, o Universo foi resfriado após o Big Bang, quando uma força invisível, conhecida como campo de Higgs, formou-se junto de partículas associadas, os bósons de Higgs, transferindo massa para outras partículas fundamentais.
Desde o lançamento da teoria, os cientistas buscam descobrir a partícula, cujos sinais da presença dela são extraídos de uma grande quantidade de dados similares e a partir da produção de um grande número de eventos para se certificar da descoberta.
“É como tentar encontrar, literalmente, uma agulha no palheiro. É extremamente complexo extrair o sinal da existência da partícula”, disse Novaes. Segundo ele, a busca pela partícula só é possível de ser realizada graças ao desenvolvimento de novas tecnologias em diversas instituições de pesquisa em todo mundo.
“Os novos dados de 2012 e os dados gerados pelo acelerador melhorado permitirão aos cientistas investigar as questões sobre o Higgs levantadas pelo anúncio de hoje (04/07), bem como outras questões fundamentais para o avanço do conhecimento sobre a natureza”, disse comunicado do experimento Atlas.
Para se encontrar as partículas elementares, dois prótons, elementos formadores dos núcleos dos átomos junto aos nêutrons, são acelerados com um alto nível de energia e se chocam. Nessa colisão, podem ser formadas partículas pesadas (com alto nível de energia). Esse conjunto de elementos formados constitui um evento.
Impactos da descoberta
De acordo com Sergio Morais Lietti, pesquisador do Sprace, a descoberta da partícula foi possível em função do acúmulo de dados gerados e ao aumento da carga de energia do LHC nos últimos anos.
“Quanto mais energia há no centro de massa entre os prótons no acelerador, maiores também são as chances de se produzir bóson de Higgs”, disse Lietti à Agência FAPESP. Segundo ele, a eventual confirmação da nova partícula como bóson de Higgs não representará o fim dos estudos sobre a física de partículas, mas sim um começo de trabalhos de pesquisa na área.
Se for confirmado que a partícula é o bóson de Higgs, destaca Lietti, será preciso estudá-la com grande precisão e estatística para aprimorar o Modelo Padrão.
Apesar de ser considerada extremamente bem-sucedida por prever uma série de fenômenos físicos que foram observados experimentalmente, além de outros que até então não tinham sido observados, a teoria, proposta na década de 1960, ainda apresenta lacunas. Uma delas é não se preocupar em descrever a força gravitacional, que é muito mais fraca do que as outras duas forças fundamentais (a forte e a fraca).
Se for descartada a hipótese de que a partícula é o bóson de Higgs, será preciso rever o Modelo Padrão. “Se a partícula for completamente diferente do bóson de Higgs, melhor ainda. Significará que o Modelo Padrão precisa sofrer ajustes”, avaliou Lietti.
Histórico
A teoria vem sendo testada desde que foi postulada em diversos aceleradores de partículas que foram construídos nas últimas décadas, como o LHC do Cern, que foi projetado ao custo de US$ 10 bilhões para aumentar as chances de descoberta do bóson de Higgs.
Em 1983, foram descobertas no acelerador SPS do Cern os bósons Z e W, previstos pelo Modelo Padrão. E, em 1989, foi criado na instituição de pesquisa o Grande Colisor de Elétrons e Pósitrons (LEP), com o objetivo de produzir diversos bósons Z para possibilitar estudar as características da partícula com precisão, para aprimorar a teoria.
Em 1967, foi construído o acelerador de partículas Tevatron no Fermilab, nos Estados Unidos, que é maior do mundo depois do LHC. Nele, foi descoberto na década de 1990 o quark top – outra partícula elementar prevista pelo Modelo Padrão, que representou a última grande descoberta na área de física das partículas.
O bóson de Higgs representa a última peça para completar o “quebra-cabeça” do espectro de partículas descritas pelo Modelo Padrão e que poderá ser completado com a descoberta da nova partícula. “A descoberta anunciada agora pode ser a mais importante da física de partículas nos últimos 40 anos”, disse Lietti. 

quarta-feira, 14 de março de 2012

Ainda no campo da ficção, a viagem no tempo é um tema de estudos e pesquisa sérias na atualidade. Será possível viajar no tempo como os filmes propõem? Seria possível alterar o passado e o futuro? Dúvidas que não teremos respostas em breve, mas a ciência avança.....

 

 
As viagens no tempo
A ciência estuda seriamente, há décadas, as viagens no tempo. Agora, o tema vem sendo revisitado, com base em ideias da informação quântica. No artigo de capa da CH de março, pesquisador discute a possibilidade de viajar no tempo sob esse novo enfoque.
Por: Ernesto F. Galvão
Publicado em 12/03/2012 | Atualizado em 12/03/2012
As viagens no tempo
Cena de ‘The Time Machine’ (1960), filme de ficção científica dirigido por George Pal e baseado no livro homônimo de H. G. Wells. Embora seja estudada há décadas, a ideia de viajar no tempo ainda impõe muitos desafios à ciência. (imagem: reprodução)
De certa forma, somos todos viajantes no tempo. E isso se dá a um ritmo constante, de 60 segundos por minuto. Seguimos, assim, rumo ao futuro. Mas, agora, imagine, leitor, uma ‘mágica’ que fizesse o tempo passar mais lentamente para você que para o resto do universo. Sob o efeito desse, digamos, encanto, você veria tudo ao seu redor envelhecer em marcha acelerada, o que, efetivamente, o levaria mais rapidamente para o futuro.
Em 1905, o físico de origem alemã Albert Einstein descreveu, em sua teoria da relatividade restrita, como a natureza permite esse ‘passe de mágica’. Essa teoria de Einstein prevê que o tempo passa mais lentamente para quem é acelerado a altíssimas velocidades. Essa dilatação temporal tem sido rotineiramente observada.
Em princípio, para viajarmos para um futuro ‘distante’, bastaria uma nave espacial muito rápida
Um modo clássico de se comprovar essa passagem mais lenta do tempo é fazer um relógio atômico ultrapreciso viajar a bordo de um avião supersônico. Quando se compara esse equipamento a um que permaneceu em terra, nota-se uma diminuta disparidade entre os tempos, que, inicialmente, eram iguais. O relógio a bordo atrasa em relação ao do solo.
Apesar de a dilatação temporal ocorrer a qualquer velocidade, esse efeito só é significativo quando atingimos velocidades comparáveis à da luz no vácuo (300 mil km/s). Portanto, em princípio, para viajarmos para um futuro ‘distante’, bastaria uma nave espacial muito rápida.


Curvando espaço e tempo

Vimos que, a todo instante, estamos viajando rumo ao futuro. No entanto, a física de viagens para o passado é bem mais complicada e controversa. Para entendermos a qestão, precisaremos de alguns conceitos básicos da física.
A melhor descrição que temos de como o espaço e o tempo se relacionam é a teoria da relatividade geral, de Einstein, finalizada em 1915. Apesar do nome, ela nada mais é do que uma teoria da gravitação, que substitui (ou generaliza) aquela idealizada, 250 anos antes, pelo físico inglês Isaac Newton (1642-1727).
Essa substituição é necessária quando lidamos com campos gravitacionais intensos ou velocidades comparáveis à da luz. Na relatividade geral, o espaço e o tempo formam um uno indissociável com quatro dimensões, três delas espaciais (altura, largura e comprimento) e uma temporal.
Mas, para nossos propósitos aqui, podemos imaginar o espaço-tempo – como os físicos denominam esse contínuo – como algo mais simples: uma daquelas camas elásticas usadas por malabaristas de circo. A relatividade geral prevê que a presença de matéria distorce o espaço-tempo, do mesmo modo que, em nossa analogia, uma grande esfera de chumbo curvaria nossa cama elástica. É justamente essa curvatura que faz com que os corpos se atraiam gravitacionalmente.
Cama-elástica
O conceito de espaço-tempo previsto na teoria da relatividade geral pode ser comparado a uma cama elástica, que é curvada pela presença de matéria. (foto: Janelle Siegrist/ Sxc.hu)
Quando jogamos uma pedra para cima, ela volta ao solo, ‘escorregando’ pelo espaço-tempo distorcido pela massa da Terra. Nosso planeta, por sua vez, se move pelo espaço-tempo curvado pela massa do Sol. E assim por diante.
O físico norte-americano John Archibald Wheeler (1911-2008) resumiu os fenômenos gravitacionais de forma quase poética: “A matéria diz ao espaço como se curvar. O espaço diz à matéria como se mover.” Essa distorção do espaço-tempo pode ser extrema, criando objetos curiosos, como os buracos negros, de onde nem a luz consegue escapar (ver CH 182).


De volta ao passado?

Na década de 1930, foi descoberta outra previsão estranha da relatividade geral: a possibilidade de caminhos espaço-temporais nos levarem a nosso próprio passado. Essas trajetórias que se curvam para o passado foram chamadas curvas tipo tempo fechadas – ou, simplesmente, CTCs, do nome em inglês.
De lá para cá, tem havido muita discussão sobre o significado dessa previsão teórica. Será que ela poderia sair do papel, permitindo a construção de uma máquina do tempo? E, se isso for possível, como evitar paradoxos? O certo é que, atualmente, ninguém sabe como construir uma máquina do tempo que nos leve para o passado.
O certo é que, atualmente, ninguém sabe como construir uma máquina do tempo que nos leve para o passado
Há quem ache que esse e outros mistérios do espaço-tempo só serão esclarecidos quando tivermos uma teoria que unifique os dois pilares da física contemporânea: a relatividade geral, que, como vimos, lida com os fenômenos do gigantesco e do ultraveloz, e a mecânica quântica, que trata do diminuto mundo das dimensões moleculares, atômicas e subatômicas.
Apesar dos esforços de milhares de cientistas, até agora, essa unificação, do macro com o micro, ainda não foi feita – um dos problemas é a dificuldade em realizar testes experimentais conclusivos. Apesar dessa dificuldade, nos últimos anos, a mecânica quântica tem esclarecido aspectos dessas possíveis viagens no tempo.
Você leu apenas o início do artigo publicado na CH 290. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral. PDF aberto (gif)

Ernesto F. GalvãoInstituto de Física
Universidade Federal Fluminense

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Stephen Hawking, o físico que não deveria estar vivo!

Stephen Hawking é um caso único e enigmático. Aos 21 anos de idade foi diagnóstico com uma grave doença e os médicos deram a ele somete 3 anos de vida. Mas 50 anos depois ele continua vivo e trabalhando, apesar de quase todos os músculos de  seu corpo estarem atrofiados. Vale aqui a homenagem a este físico que proporcionou novas conhecimentos a ciência e tem uma produção bibliográfica significativa, como por exemplo "O universo numa casca de noz" que vale a pena ser lido. 
Confira abaixo, além de um breve texto, dois vídeos, sendo um deles uma saudação gravada pelo próprio Hawking.



Não tão breve história do tempo

Publicado em 31/01/2012

Museu de Ciência de Londres faz exposição para celebrar os 70 anos de Stephen Hawking, renomado físico que, há décadas, tem a vida desacreditada pela medicina.
Não tão breve história do tempo
Público observa foto de Stephen Hawking em seu escritório na Universidade de Cambridge, onde é diretor de pesquisa no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica. (foto: divulgação / Museu de Ciência de Londres)
Para celebrar os 70 anos do físico britânico Stephen Hawking, o Museu de Ciência de Londres apresenta uma exposição com objetos pessoais e fotos inéditas da infância e juventude do cientista, que nasceu no dia 8 de janeiro de 1942. É um aniversário que ninguém, nem mesmo o próprio Hawking, imaginava presenciar.
Aos 21 anos de idade, ele foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa que leva à perda dos movimentos dos músculos voluntários (que se contraem ou estendem por meio do comando da pessoa).
Segundo os médicos, o físico teria cerca de três anos de vida. Praticamente 50 anos depois, a sobrevida de Hawking é um caso único
Segundo os médicos, o físico teria cerca de três anos de vida. Praticamente 50 anos depois, a sobrevida de Hawking é um caso único (até hoje, apenas 5% das pessoas que têm a doença vivem mais de dez anos).
Durante esse período, a doença continuou a progredir, o que não o impediu de continuar trabalhando, tanto em pesquisa quanto na popularização da ciência. Hoje, com praticamente todos os músculos do corpo paralisados, ele usa uma cadeira de rodas para se locomover e se comunica por um sintetizador de voz controlado pelos músculos da bochecha.
A exposição em homenagem ao seu aniversário, inaugurada no dia 20 de janeiro no salão espacial do museu britânico, reúne objetos pessoais emprestados pelo próprio Hawking. É o caso da roupa usada no voo de gravidade zero que fez em 2007, o scriptcom anotações de sua participação nos Simpsons e alguns dos prêmios que ganhou ao longo da carreira, como o Príncipe de Astúrias, do governo espanhol, e os troféus Cosmos e Fonseca, por seu trabalho de popularização da ciência.

Assista abaixo a uma vídeo-reportagem exclusiva sobre a exposição

Há também rascunhos, alguns escritos à mão, dos seus primeiros trabalhos científicos – entre eles, um diagrama do mecanismo da radiação Hawking, energia que, segundo o cientista, seria gerada por buracos negros.
Ainda podem ser vistos um retrato do cientista feito pelo artista inglês David Hockney em 1978 e diversas edições internacionais do best-seller Uma Breve História do Tempo, que desde o lançamento, em 1988, já vendeu mais de dez milhões de cópias. A exibição também inclui retratos recentes do cientista em seu escritório em Cambridge, feitos especialmente para o museu.
Hawking gravou uma mensagem exclusivamente para a exposição. A saudação está sendo apresentada no local em um vídeo que mostra fotos inéditas de sua infância e juventude, assim como imagens de família, obtidas diretamente do arquivo pessoal do cientista.
“Essa é uma visão pessoal de Stephen Hawking que muitas pessoas não tinham visto antes”, disse Alison Boyle, curadora de astronomia do museu e responsável pela exposição. “Para nós, que trabalhamos no museu, a oportunidade de vasculhar o acervo pessoal de Stephen Hawking, há alguns meses, foi como um presente de Natal antecipado”, completou.

Saudação

O vídeo com a mensagem de Hawking está disponível na página do museu. Abaixo, assista à gravação e leia a tradução para o português da saudação do cientista:


“Olá. Meu nome é Stephen Hawking. Estou muito feliz de apresentar a exposição dos meus objetos pessoais no Museu de Ciência. O Museu é um dos meus lugares favoritos, e faz um excelente trabalho de apresentar aos jovens como as descobertas científicas podem ser fantásticas e excitantes. Essa exposição comemora o meu 70º aniversário, uma boa ocasião para avaliar a minha carreira como físico.

“Tem sido uma época gloriosa para se estar vivo e fazer pesquisa em física teórica. Nossa imagem do universo mudou bastante nos últimos 70 anos, e fico feliz de talvez ter feito uma pequena contribuição. Quero compartilhar minha inspiração e meu entusiasmo. Não existe nada como o momento ‘Eureka’ de descobrir uma coisa que ninguém sabia antes.

“O mundo mudou muito nos últimos 70 anos. A ciência e a tecnologia tiveram um impacto profundo na maneira como vivemos. E vão continuar tendo.

“Existem grandes desafios diante da raça humana e espero que os jovens de hoje saibam usar a ciência e a tecnologia para solucionar esses desafios.”