Metamorfoses Históricas: História, livros, músicas, cinema e motos!

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terça-feira, 27 de agosto de 2013

As transformações da tecnologia da informação nas duas últimas décadas modificaram a forma de convivência entre as pessoas e sociedades. A rapidez na troca de informações e conhecimentos alcança a cada dia um ritmo mais acelerado, ao mesmo tempo que ficamos cada dia mais vulneravéis, no sentido de termos nossa privacidade invadida, seja por nossas próprias ações na rede mundial de computadores, seja pelas práticas de acesso a informações confidenciais cada dia mais agressivas. O Big Brother ganha forma e poder cada vez maior!

Quem é o Grande Irmão? 

Por: Keila Grinberg  Publicado em 21/06/2013

Li recentemente que, depois de Edward Snowden, ex-funcionário da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, sigla em inglês), ter vazado informações  sobre programas de inteligência do país, a venda de exemplares do livro 1984, de George Orwell, cresceu mais de 7.000% no site da Amazon.

Achei curioso. Não pela relação, algo óbvia, entre o best-seller escrito em 1948 e publicado pela primeira vez, coincidentemente, no dia 8 de junho, quando estourava o escândalo, e o evento do mês. Afinal, 1984 é justamente a história de uma sociedade na qual o controle total é exercido pelo Grande Irmão, o Big Brother.

Embora inspirado diretamente nos regimes totalitários das décadas de 1930 e 1940, no livro, a história se passa em uma sociedade liberal-democrática, na qual Winstom Smith, o personagem principal, representa o cidadão comum vigiado o dia inteiro pelas teletelas e pelo Partido.

No romance, Smith sabe que toda atitude suspeita é passível de denúncia à Polícia do Pensamento e que qualquer ato considerado dissidente pode originar uma denúncia. O que Snowden está mostrando é que, ao usar serviços de empresas como o Skype, o Google (“don’t be evil”), o Facebook e a Verizon (esta última, empresa de telefonia norte-americana), nossas conversas podem ser ouvidas em tempo real, nossos e-mails podem ser lidos, nossas ligações telefônicas podem ser rastreadas. A diferença é que ninguém precisa denunciar. Nós mesmos alegremente abrimos mão da nossa privacidade, continuando a usar os serviços dos gigantes da internet. Ou você viu por aí alguém protestando contra o uso do gmail?
 
Big Brother

 Ironias da história

Orwell imaginou um mundo de vigilância total, mas ele mesmo viveu uma realidade totalmente diferente desta. Ao mesmo tempo em que publicava 1984, Orwell mandava sua própria lista de suspeitos de comunismo a sua amiga Celia Kirwan, que trabalhava no Information Research Department (IRD) do Foreign Office inglês. A lista contém 38 nomes de jornalistas e escritores que, segundo sua opinião, “eram cripto-comunistas” ou simpatizantes.

Claro que, como todo texto tem seu contexto de produção, a lista de Orwell também tem sua época. Ele era um importante liberal antissoviético e, em 1949, muito doente, quatro anos depois da publicação de seu libelo A revolução dos bichos, estava convencido de que a Inglaterra e os demais países ocidentais perderiam a guerra ideológica contra a União Soviética. O que, evidentemente, não o desculpa. Ainda mais ao sabermos que seu caderninho de anotações continha várias outras observações, como as variações pejorativas do termo “judeu” (“judeu polonês”, “judeu inglês”), chegando mesmo a se perguntar se Charlie Chaplin seria um deles (não era).

A lista e o caderninho de Orwell só tornam mais irônico o fato de ter se tornado, post mortem – ele faleceria no início de 1950 –, o símbolo da independência política e da defesa da liberdade de pensamento contra os excessos de qualquer Estado. Quem lê 1984 hoje, “um livro péssimo”, segundo o já bastante deprimido Orwell, procura essa reflexão.

Mas irônico mesmo é saber que Orwell foi genial ao imaginar e descrever uma sociedade que ele de fato não chegaria a conhecer, mas não teria como antever que seu caderno de anotações e suas listas de suspeitos seriam hoje desnecessários: na era da conexão total, nós nos tornamos informantes de nós mesmos.

Em tempo: a lista de Orwell pode ser consultada no Arquivo Nacional inglês, em Londres, arquivada sob o número FO 1110/189. Um bom texto sobre o assunto foi escrito por Timothy Ash na revista New York Review of Books, em 2003.

Fonte:  http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/em-tempo/quem-e-o-grande-irmao/view

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A leitura é sempre um universo paralelo e fascinante, para aqueles e aquelas que tem este hábito. Uma indicação para os aficionados por ficção científica é o clássico Neuromancer, de William Gibson. Parte da narrativa deste livro foi fonte de inspiração para a produção Matrix, sucesso nas telas de cinema.
Vale a pena a leitura deste livro que chega aos 30 anos de seu lançamento. Visões de tecnologias de um futuro que se materializou e de tantas outras (quem sabe) que ainda estão por vir....

Sonhos cibernéticos

‘Neuromancer’, romance que legitimou o cyberpunk, completa 30 anos. As histórias desse subgênero da ficção científica se passam em futuro distópico com ênfase em alta tecnologia e degradação social. 
 
Por: Fred Furtado                                                                      Publicado em 17/04/2013 

 

No mundo imaginado por William Gibson, a fronteira entre real e virtual é imprecisa. Os usuários de computadores na megacidade criada por ele vivem uma “alucinação consensual coletiva”. (imagem: Wikimedia Commons) 
 
Um mundo onde as corporações multinacionais têm grande poder e controlam um volume substancial da sua vida; onde a computação e a internet estão em todos os lugares, sendo usados até para fins militares; onde as cidades se expandiram tanto até se fundirem; e onde a interface entre homem e máquina está avançando.

Pode parecer uma descrição do mundo atual ou mesmo de alguns anos à frente, mas na verdade é o futuro representado no romance Neuromancer, do escritor norte-americano William Gibson.

Escrito em 1983 (mas publicado em 1984), o livro transformou esse cenário num elemento integral do subgênero que legitimou, o cyberpunk. Tecnologias de informação e cibernética mescladas à desintegração na ordem social são alguns dos elementos que caracterizam esse estilo.
 
A história, num tempo futuro não identificado, mas supostamente não tão distante da atualidade, acompanha o caubói Case. Em Neuromancer, caubóis não são os vaqueiros do Velho Oeste – eles se assemelham mais aos nossos hackers. São pessoas que ganham a vida invadindo computadores e roubando informação.

Por meio de dispositivos inteligentes, os decks, os caubóis navegam a “alucinação consensual” da matriz, uma versão muito mais sofisticada da internet que é projetada em 3D na mente do caubóis e de todos que interagem com ela. Quando conectada a ela, o usuário se encontra no ciberespaço, termo cunhado pelo próprio Gibson e que hoje integra o meio da computação.

Junto com o inescrutável Armitage, a perigosa Molly e o psicótico Peter Riviera, Case é contratado pelo misterioso Wintermute para uma missão que o fará sair de Chiba City, no Japão, passar por Istambul (Turquia) e pelo Sprawl, megacidade que cobre boa parte da costa leste dos Estados Unidos, até chegar às estações espaciais que orbitam a Terra.
Obras de William Gibson
No conto Burning chrome, de 1982, e depois no romance Neuromancer, publicado em 1984, William Gibson cunhou o termo 'ciberespaço', aludindo à rede global de comunicação, na época incipiente.
Tudo isso num clima noir e envolvendo elementos de contracultura, computação e cibernética, também descrito em inglês como high tech, low life; em português, algo como ‘alta tecnologia, vida baixa’.

 

Marco um

Segundo o professor de jogos digitais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o escritor de ficção científica Fábio Fernandes, Neuromancer não é considerado o marco zero do cyberpunk.

“Esse título é dado ao romance City come a-walkin, do escritor norte-americano John Shirley, de 1980. Mas a obra de Gibson é brilhante e tem seu diferencial no excesso de estilo, nas imagens que cria e no seu olho para o detalhe, entre outros aspectos”, observa.

“É preciso lembrar que ele já tinha 35 anos quando escreveu Neuromancer – não era um escritor inexperiente, apesar de ser seu primeiro romance,” acrescenta Fernandes, que traduziu a obra para o português (editora Aleph).

Entre as inspirações de Gibson, o escritor brasileiro destaca a pop art, especialmente a de temática espacial dos anos 70; a cultura japonesa; o nascente mundo da informática; e o movimento de contracultura.

“Esteticamente, há semelhanças com o filme Blade Runner, mas Gibson as nega. Diz que entrou no cinema para ver o filme, mas saiu no meio para não se influenciar”, conta Fernandes.

 

Previsões

Volta e meia, obras de ficção científica são julgadas pela sua capacidade de previsão do futuro. Embora essa não seja considerada uma métrica válida para escritores e críticos, fãs do gênero gostam de discutir como esse ou aquele livro acertou em prever o desenvolvimento de um determinado tipo de tecnologia.

Não poderia ser diferente com Neuromancer. Mas Gibson é o primeiro a refutar o título de profeta. Ele argumenta que se realmente fosse presciente, teria pensado no telefone celular, um dispositivo cuja ausência na história de Case e seus comparsas é, hoje em dia, extremamente chamativa.

Outro elemento que não se concretizou foi a supremacia cultural do Japão. Na década de lançamento de Neuromancer, apostava-se que o futuro seria dominado por influências nipônicas, mais ou menos como atualmente se acredita que será o caso com a cultura chinesa.
Shibuya, Tóquio
Quando 'Neuromancer' foi lançado, apostava-se que o futuro seria dominado por influências nipônicas, simbolizado aqui pela Times Square japonesa, Shibuya, em Tóquio. No entanto, essa previsão não se concretizou. (foto: Guwashi/ CC BY 2.0)
Finalmente, em determinado momento da narrativa, Case se refere a 3 megabytes (MB) de memória RAM como um item “quente”. Embora o ‘calor’ da memória tenha mais a ver com o conteúdo guardado nela, é risível pensar que no futuro megabytes ainda terão alguma relevância, já que nós, no presente, estamos trabalhando com gigabytes (GB) e terabytes (TB), volumes mil e um milhão de vezes maiores que MB.

 

Ocaso

Um detalhe curioso da obra é o número acima da média de referências ao Brasil, desde drogas sintéticas a instalações de inteligência artificial. Para Fernandes, a presença do país no texto não tem significado mais profundo e estaria lá porque Gibson precisava de um lugar que parecesse exótico. “Na época, o Brasil era um lugar violento associado ao tráfico de drogas”, lembra o escritor.

 Apesar de seu sucesso nos anos 1980, o cyberpunk hoje está praticamente extinto como gênero literário. Seus escritores mais emblemáticos se dedicam a uma ficção científica que não mais se enquadra nos padrões do subgênero que deu origem a Neuromancer.
“É um pós-cyberpunk. Na verdade, houve uma abertura de escopo das histórias, inclusive com visitas ao passado. Um dos filhos do cyberpunk é o steampunk, cujas histórias se passam numa era Vitoriana com tecnologias que nunca existiram”, conta Fernandes.

Fred FurtadoCiência Hoje/RJ

Fonte:  http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/sobrecultura/2013/04/sonhos-ciberneticos

segunda-feira, 30 de julho de 2012


Atenção alunos e alunas das 3ª séries e aos demais que se inscreveram no ENEM 2012: o MEC lançou hoje, dia 30 de julho, um guia para a redação, informando sobre os critérios de avaliação e como melhorar seu desempenho nesta etapa do Exame. Vale a pena conferir e começar a fazer suas anotações e seus exercícios para escrita! 


Ministério da Educação lança manual sobre redação do Enem

Heloisa Cristaldo
Repórter da Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC) lançou hoje (30) o manual A Redação no Enem 2012 – Guia do Participante com informações sobre critérios de avaliação da redação do exame. O guia vai orientar estudantes sobre como se preparar para a prova, que será aplicada nos dias 3 e 4 de novembro.
“O guia vai trazer tudo que o aluno precisa saber sobre o que os avaliadores vão considerar para dar nota [na redação]. O estudante vai saber exatamente em que pode perder pontos e qual a estratégia para ter o melhor desempenho possível”, disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.
Das 3.700 redações que receberam nota máxima (mil pontos) no Enem 2011, seis foram selecionadas e aparecem no guia com comentários. De acordo com o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio Costa, os autores das redações selecionadas "desenvolveram o tema de acordo com as exigências do texto dissertativo-argumentativo" e demonstraram "domínio da norma culta de língua escrita".
Segundo o ministro da Educação, o número de avaliadores de redação será ampliado em 40% para o Enem 2012. Dois professores avaliarão o desempenho dos alunos, que podem receber de zero a 200 pontos para cada uma das cinco competências (domínio da norma padrão da língua portuguesa; compreensão e desenvolvimento do tema utilizando várias áreas do conhecimento; construção e defesa de um ponto de vista; construção de argumentação e proposta de intervenção para o problema, respeitando os direitos humanos).
Havendo divergências acima de 80 pontos em qualquer uma das competências, a prova será corrigida por um terceiro avaliador. Caso ainda persista a divergência de notas, uma banca composta por três professores dará a nota final do participante. Até o exame anterior, a margem para discordância era 300 pontos.
Mercadante afirmou que os alunos terão acesso às redações corrigidas para fins pedagógicos. “É mais uma contribuição para darmos total transparência ao Enem”, disse. Entretanto, não poderão ser usadas como base para recurso junto à organização da prova.
Elaborado pelo Inep, em conjunto com especialistas em língua portuguesa, o guia tem inicialmente a tiragem de 1,7 milhão de cópias, que serão distribuídas a todas escolas públicas do país na segunda quinzena de setembro. O Ministério também vai disponibilizar edições em braille e na forma ampliada para pessoas com déficit de visão. A versão online já está disponível na página eletrônica do Inep.
O MEC também divulgou que será publicado amanhã (31) edital no valor de R$ 2 milhões para convocar instituições de ensino superior para fazer estudos e pesquisas relacionados às provas aplicadas.
Os 5,8 milhões de candidatos da próxima edição do Enem, número recorde de inscritos, farão o exame em 140 mil salas de 1.600 municípios do país.
Edição: Fábio Massalli

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Neuromancer: vale a pena ler!

Ao ler este pequeno texto na internet e como o mesmo é pertinente ao livro, que já li e é muito bom mesmo, compartilho aqui a indicação. Qualquer semelhança com alguns filmes de ficção não é mera coincidência.

Neuromancer: a ciência prepara o futuro e a ficção científica mostra primeiro

A maior parte da produção cinematográfica com inspiração cyberpunk não passa de um cópia pausterizada. Não que elas não fossem boas, mas, depois de ler “Neuromancer”, tive a sensação de que a maior parte delas chupou alguma coisa do livro. 
William Gibson é um dos principais nomes da literatura cyberpunk e sua maior obra é o thriller noir/sci-fi “Neuromancer” (Editora Aleph), que tem uma narrativa truncada e muitas vezes hermética. A sensação ao terminar de ler o livro é que o autor tinha tantas ideias inovadoras que encontrou dificuldades para expressá-las.
Case, um ex-cowboy (ou hacker), é contratado para ajudar a samurai urbana Molly em uma missão suicida: libertar uma misteriosa e poderosa inteligência artificial. O problema é que o cérebro de Case foi danificado e não pode mais acessar a Matrix (a internet), sem falar que ele está atolado em dívidas resultantes de um consumo suicida de drogas. No entanto, o pagamento oferecido para o trabalho é restaurar seu cérebro e sua vida, mas como todo pacto com o demônio… isso tem seu preço. 
Em meio a tudo isso, vemos implantes cibernéticos, acesso neural a internet, firewalls (chamados de Ice), drogas sintéticas e sexo casual. Atualmente, essas coisas fazem parte da nossa vida, mas estamos falando de um livro escrito em 1983!!! 
E daí que o cara é visionário? Calma, “Neuromancer” não foi eleito, a toa, um dos livros 100 livros mais importantes da língua inglesa pela revista Time. Apesar da leitura complicada em alguns momentos, principalmente no começo, Gibson tem uma história fantástica para contar e que teve muitos de seus elementos canibalizados pela cinessérie “Matrix” dos Irmãos Wachowski e por boa parte dos animes e mangás cyberpunks, como o clássico“Ghost in the Shell”. Depois de ler, você terá a impressão de que todas essas produções foram tentativas de dar continuidade ao universo criado em “Neuromancer”.
Claro que nem tudo foi criador apenas por William Gibson, afinal, os autores do movimento cyberpunk trocavam muita correspondência e liam os trabalhos uns dos outros antes de serem publicados. Por tanto, vemos muitas contribuições de nomes como Bruce Sterling e Pat Cadigan.
Não posso deixar de mencionar a qualidade inegável da tradução feita pelo talentoso Fábio Fernandes. O cara é um dos poucos tradutores capazes de verter para o português todo aquele emaranhado de frases soltas, neologismos e expressões sem que eles perdessem o sentido ou o estilo. A imersão de Fábio Fernandes é tão grande que temos a sensação de que o livro foi escrito originalmente em português.
“Neuromancer” é uma fábula tecnológica sobre o que é ser humano e o que nos motiva a viver. Apesar de toda essa camada de aparelhos, realidade virtual e prazeres artificiais, a humanidade é movida por algumas questões primordiais: o existencialismo, o amor e a filosofia.
Ilustração - Camaleão