sem perder a crítica ( 17 de setembro a 26 de setembro de 2013).
Metamorfoses Históricas: História, livros, músicas, cinema e motos!
Metamorfoses Históricas: História, livros, músicas, cinema e motos!
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
terça-feira, 27 de agosto de 2013
As transformações da tecnologia da informação nas duas últimas décadas modificaram a forma de convivência entre as pessoas e sociedades. A rapidez na troca de informações e conhecimentos alcança a cada dia um ritmo mais acelerado, ao mesmo tempo que ficamos cada dia mais vulneravéis, no sentido de termos nossa privacidade invadida, seja por nossas próprias ações na rede mundial de computadores, seja pelas práticas de acesso a informações confidenciais cada dia mais agressivas. O Big Brother ganha forma e poder cada vez maior!
Quem é o Grande Irmão?
Por: Keila Grinberg Publicado em 21/06/2013
Li recentemente que, depois de Edward Snowden, ex-funcionário da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, sigla em inglês), ter vazado informações sobre programas de inteligência do país, a venda de exemplares do livro 1984, de George Orwell, cresceu mais de 7.000% no site da Amazon.
Achei curioso. Não pela relação, algo óbvia, entre o best-seller
escrito em 1948 e publicado pela primeira vez, coincidentemente, no dia
8 de junho, quando estourava o escândalo, e o evento do mês. Afinal,
1984 é justamente a história de uma sociedade na qual o controle total é
exercido pelo Grande Irmão, o Big Brother.
Embora inspirado diretamente nos regimes totalitários das décadas de
1930 e 1940, no livro, a história se passa em uma sociedade
liberal-democrática, na qual Winstom Smith, o personagem principal,
representa o cidadão comum vigiado o dia inteiro pelas teletelas e pelo
Partido.
No romance, Smith sabe que toda atitude suspeita é passível de
denúncia à Polícia do Pensamento e que qualquer ato considerado
dissidente pode originar uma denúncia. O que Snowden está mostrando é
que, ao usar serviços de empresas como o Skype, o Google (“don’t be evil”),
o Facebook e a Verizon (esta última, empresa de telefonia
norte-americana), nossas conversas podem ser ouvidas em tempo real,
nossos e-mails podem ser lidos, nossas ligações telefônicas
podem ser rastreadas. A diferença é que ninguém precisa denunciar. Nós
mesmos alegremente abrimos mão da nossa privacidade, continuando a usar
os serviços dos gigantes da internet. Ou você viu por aí alguém
protestando contra o uso do gmail?
Ironias da história
Orwell imaginou um mundo de vigilância total, mas ele mesmo viveu uma
realidade totalmente diferente desta. Ao mesmo tempo em que publicava 1984,
Orwell mandava sua própria lista de suspeitos de comunismo a sua amiga
Celia Kirwan, que trabalhava no Information Research Department (IRD) do
Foreign Office inglês. A lista contém 38 nomes de jornalistas e
escritores que, segundo sua opinião, “eram cripto-comunistas” ou
simpatizantes.
Claro que, como todo texto tem seu contexto de produção, a lista de
Orwell também tem sua época. Ele era um importante liberal
antissoviético e, em 1949, muito doente, quatro anos depois da
publicação de seu libelo A revolução dos bichos, estava
convencido de que a Inglaterra e os demais países ocidentais perderiam a
guerra ideológica contra a União Soviética. O que, evidentemente, não o
desculpa. Ainda mais ao sabermos que seu caderninho de anotações
continha várias outras observações, como as variações pejorativas do
termo “judeu” (“judeu polonês”, “judeu inglês”), chegando mesmo a se
perguntar se Charlie Chaplin seria um deles (não era).
A lista e o caderninho de Orwell só tornam mais irônico o fato de ter se tornado, post mortem
– ele faleceria no início de 1950 –, o símbolo da independência
política e da defesa da liberdade de pensamento contra os excessos de
qualquer Estado. Quem lê 1984 hoje, “um livro péssimo”, segundo o já bastante deprimido Orwell, procura essa reflexão.
Mas irônico mesmo é saber que Orwell foi genial ao imaginar e
descrever uma sociedade que ele de fato não chegaria a conhecer, mas não
teria como antever que seu caderno de anotações e suas listas de
suspeitos seriam hoje desnecessários: na era da conexão total, nós nos
tornamos informantes de nós mesmos.
Em tempo: a lista de Orwell pode ser consultada no Arquivo Nacional inglês, em Londres, arquivada sob o número FO 1110/189. Um bom texto sobre o assunto foi escrito por Timothy Ash na revista New York Review of Books, em 2003.
Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/em-tempo/quem-e-o-grande-irmao/view
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Pequena e singela homenagem ao grande Raul Seixas. Há 24 anos, no dia 21 de agosto de 1989, ele partiu desse mundo para viajar pelo universo, como diz uma das letras de suas inúmeras músicas.
Músicas que mesmo passando o tempo, são sempre atuais! Importante sempre é TOCA RAUL!!!!!
Metamorfose Ambulante
Prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Eu quero dizer
Agora, o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator
É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Eu vou lhe desdizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Muitas são as teorias, muitas delas comprovadas cientificamente, que defendem determinadas ações ou práticas humanas como sendo inatas, ou seja, nós nascemos com elas. Existem também os cientistas que buscam refutar tais estudos, buscando construir novas teses e teorias a partir de novos estudos.
A questão dos seres humanos realizarem guerras é tratada ainda por muitos como algo inato ao ser humano. Embora as evidências e livros de história mostrem que as sociedades humanas realizam guerras por territórios, fontes de água, energia, alimentos, ganância, ódio e tantos outros motivos, a guerra não é algo inato do ser humano, mas sim uma construção cultural que muitas vezes é natualizada, como nos mostra o texto a seguir.
Atualmente, além de outras razões, a guerra movimenta uma indústria que gera trilhões de doláres por ano, que é a indústria armamentista. Neste cenário, quanto mais guerra melhor para esta lógica trágica e que gera milhares de mortes e mutilados a cada ano, mas ao mesmo tempo gera um lucro crescente para uma indústria que continua em expansão.
A guerra de inata e natural do ser humano não tem nada. O que tem é o eterno desejo da ganância, ambição e individualismo que marcam cada vez as sociedades modernas capitalistas.
![[Charge+-+isso+é+democracia.jpg]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgNbY-CO0-P_7wSezyQAl61X9cKcCIIrm63d8rit3BTB2Cbdt-L5XxVJEs3wed9SkHJOrPVzDP7KCwxJLbEe3Qo5hl4ZeQXiYCuWOMNyYHJ_JLyKdaUYbTK88NC0Ywbvxu5Jxu3jBIOPUcH/s400/Charge+-+isso+%C3%83%C2%A9+democracia.jpg)
Guerra não é herança evolutiva dos humanos
Pesquisadores concluem que a prática do confronto não é inata nem inevitável
Por John Horgan
Uma das mais insidiosas ideias modernas sustenta
que a guerra é inata, uma adaptação criada em nossos ancestrais pela
seleção natural. Essa hipótese – vamos chamá-la de “Teoria da Guerra com
Raízes Profundas” – já foi promovida por intelectuais respeitáveis como
Steven Pinker, Edward Wilson, Jared Diamond, Richard Wrangham, Francis
Fukuyama e David Brooks.
A Teoria das Raízes Profundas aborda não
apenas a agressão humana violenta em geral, mas uma manifestação
específica dela, envolvendo ataques de um grupo contra o outro.
Os adeptos da teoria frequentemente argumentam que – por mais belicosos que sejamos atualmente – nós éramos ainda mais belicosos antes do advento da civilização.
Pinker alega em seu bestseller, Better Angels of Our Nature (Os anjos bons de nossa Natureza, em tradução livre), que “ataques e disputas crônicas caracterizam a vida em um estado natural” . Em The Social Conquest of the Earth (A Conquista Social da Terra), Wilson chama a guerra de “maldição hereditária da humanidade”.
A
Teoria das Raízes Profundas se tornou extraordinariamente popular,
especialmente considerando as evidências para ela são
extraordinariamente fracas.
A cena do “macaco assassino” no filme de Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968).
Um estudo publicado em 18 de julho na Science, “Lethal Aggresion in Mobile Forager Bandas and Implications for the Origins of War”, fornece contra-evidências para a Teoria das Raízes Profundas.
Os
autores do estudo, os antropólogos Douglas Fry e Patrik Soderberg da
Universidade Abo Akademi, na Finlândia, declaram que seus descobertas
“contradizem afirmações recentes de que coletores nômades se engajavam
regularmente em guerras de coalisão contra outros grupos”.
Fry e
Soderberg se concentram em bandos de coletores com grande mobilidade,
também chamados de caçadores-coletores nômades, porque se acredita que
seu comportamento forneça uma janela para a evolução humana.
Nossos ancestrais viveram como coletores nômades desde a emergência do gênero Homo
há cerca de dois milhões de anos até aproximadamente 10 mil anos atrás,
quando humanos começaram a plantar, domesticar animais e se estabelecer
em sociedades hierárquicas mais complexas.
Fry e Soderberg examinaram dados de violência mortal em 21 sociedades coletoras observadas por etnógrafos.
As
sociedades incluem os Aranda e Tiwi, da Austrália, os Kaska,
Kitlinermiut, e Montagnais da América do Norte; os Botocudo da América
do Sul, os Kung, Haza e Mbuti da África; e os Vedda e Andamanese do Sul
do Ásia.
Fry e Soderberg regisram um total de 148 “eventos de agressão letal” nessas sociedades.
Os
pesquisadores distinguem entre a violência envolvendo pessoas que
pertencem ao mesmo grupo, frequentemente aparentados, e a violência
entre pessoas em grupos diferentes. Eles também distinguem entre a
violência envolvendo apenas um perpetrador e vítima e a violência
envolvendo pelo menos dois assassinos e duas vítimas.
Essas distinções são cruciais, porque a guerra, por definição, é uma atividade em grupo.
Os
defensores da teoria "raízes profundas" frequentemente consideram todas
as formas de violência mortal, não apenas a violência em grupo, como
evidência para sua teoria. (Eles frequentemente também contabilizam a
violência em sociedades que praticam a horticultura, como os Ianomami da
Amazônia, mesmo que a horticultura seja uma invenção humana
relativamente recente.)
Das 21 sociedades examinadas por Fry e
Soderberg, em três não encontraram registro de morte de nenhum tipo, e
em 10 não havia mortes provocadas por mais de um perpetrador.
Em
apenas seis sociedades os etnógrafos registram mortes que envolveram
dois ou mais perpetradores e duas ou mais vítimas. Uma única sociedade,
no entanto, os Tiwi da Austrália, foi responsável por quase todas essas
mortes em grupo.
Alguns outros pontos de interesse: 96% dos assassinos eram do sexo masculino.
Isso
não é surpresa. Mas alguns leitores podem se surprender com o fato de
que apenas duas de 148 mortes se originaram de luta por “recursos”, como
áreas de caça, fontes de água ou árvores de frutos.
Nove
episódios de agressão letal envolveram maridos matando esposas; três
envolveram a “execução” de um indivíduo por outros membros de seu grupo;
sete envolveram a execução de “estranhos”, como colonizadores ou
missionários.
A maioria das mortes veio do que Fry e Soderberg
categorizam como “disputas pessoais diversas”, envolvendo ciúmes,
roubos, insultos e assim por diante. A causa mais específica de violência mortal – envolvendo perpetradores únicos ou múltiplos – foi a vingança de um ataque anterior.
Esses dados corroboram a teoria da guerra proposta por Margaret Mead em 1940.
Observando
que algumas das sociedades coletoras simples, como os aborígenes
australianos, podem ser belicosas, Mead rejeitou a ideia de que a guerra
era uma consequência da civilização. Mas ela também descartou a noção
de que a guerra fosse inata – uma “necessidade biológica”, como ela
chamava – simplesmente ao apontar (como fazem Fry e Soderberg) que
algumas sociedades não se engajam em violência entre grupos.
Mead
(novamente como Fry e Soderberg) não encontrou evidências para o que
poderia ser chamado de teoria malthusiana da guerra, que sustenta que a
guerra é a consequência inevitável da competição por recursos.
Em vez disso, Mead propôs que a guerra é uma “invenção” cultural – no linguajar moderno, um meme, que pode surgir em qualquer sociedade, da mais simples até a mais complexa.
Uma
vez que surge, a guerra frequentemente se auto-perpetua, com ataques de
um grupo provocando retaliações e ataques preventivos de outros.
O meme da guerra também transforma sociedades, fazendo com que se tornem militarizadas e tornem a guerra mais provável.
Os Tiwi parecem ser uma sociedade que abraçou a guerra como modo de vida. Assim como os Estados Unidos da América.
A
Teoria das Raízes profundas é insidiosa porque leva muitas pessoas a
sucumbir a noção fatalista de que a guerra é inevitável. Errado. A
guerra não é nem inata, e nem inevitável.
Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/guerra_nao_tem_profundas_raizes_evolutivas.html
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