Metamorfoses Históricas: História, livros, músicas, cinema e motos!

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tempo, sempre o tempo...

O tempo é uma invenção humana e que cada dia mais, com as tecnologias, as cobranças se tornam maiores para atendermos os inúmero compromissos da vida diária. Nossa concepção de tempo não é a mesma de uma década atrás, que era diferentes das décadas anteriores, que era diferente dos séculos anteriores! Dependendo também de onde vivemos, podemos estar vivendo em um tempo de séculos atrás, como algumas comunidades isoladas existentes em diferentes partes do mundo. 


A invenção do tempo

Por: Adilson de Oliveira
Publicado em 20/01/2012 | Atualizado em 20/01/2012
Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano, foi um individuo genial,
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão 

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para diante vai ser diferente
(Carlos Drummond de Andrade)

Novamente estamos começando um ano novo. O final e o início do ano são sempre comemorados com muitas festividades. Temos a sensação de que um tempo terminou e outro vai começar. Como é verão no Brasil, nessa época muitas pessoas saem de férias, viajam para outros lugares e buscam descansar para novamente começar um novo ciclo.
Como uma simples mudança na ‘folhinha’ pode influenciar tanto as nossas vidas? A utilização de calendários para marcar o tempo em dias, semanas, meses e anos foi, sem dúvida, uma invenção sensacional. Como diz o poeta Drummond, quando se inicia um novo ano, sempre esperamos um novo começo, com esperanças renovadas para as nossas vidas.
A necessidade da utilização de calendários começou na época em que a humanidade iniciou o desenvolvimento da agricultura
A necessidade da utilização de calendários começou na época em que a humanidade iniciou o desenvolvimento da agricultura. Como a maioria das culturas agrícolas segue os ciclos das estações do ano, saber quando dar início ao plantio e à colheita é de fundamental importância.
Para marcar a passagem do tempo, foram escolhidos como referência os movimentos das estrelas e planetas no céu. A periodicidade de eventos astronômicos era ideal para isso. Por exemplo, os sacerdotes egípcios sabiam que haveria uma cheia no rio Nilo, que ajudaria na irrigação das suas margens, quando a estrela Seped – conhecida hoje como Sírio, a mais brilhante do céu – surgia pouco antes do amanhecer ao leste.

Lunares e solares

O desenvolvimento dos calendários ocorreu, principalmente, a partir da observação dos movimentos da Lua e do Sol. Os calendários lunares são baseados nas fases da Lua, que tem um ciclo de aproximadamente 29,5 dias, ou seja, o tempo necessário para que uma das quatro fases se repita.
O calendário islâmico funciona dessa maneira até os dias de hoje. Ele tem 12 meses que alternam 29 e 30 dias, totalizando um ano de 354 dias. Nesse calendário, as estações do ano vão se alterando durante os meses, pois existe uma defasagem de 11 dias em relação ao período de translação da Terra.
Os calendários solares são mais ajustados para marcar as datas das estações do ano. O período de um ano solar é definido pelo tempo necessário para que o Sol retorne para a mesma posição no céu em relação às constelações, o que equivale a 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 47 segundos (365,2422 dias). Como esse tempo não é um múltiplo inteiro de dias, é necessário, a cada quatro anos, acrescentar um dia ao calendário. Esse ano com um dia a mais chamamos de bissexto, como é o caso de 2012. 
Diagrama das estações da Terra
Diagrama das estações da Terra (com os astros fora de escala). Os movimentos das estrelas e dos planetas foram escolhidos como referência para a elaboração dos calendários. O nosso calendário, baseado no movimento do Sol, é ajustado para marcar as datas das estações do ano. (imagem: Tauʻolunga/ CC BY-SA 2.5)

O primeiro calendário solar amplamente aplicado foi o calendário juliano, implantado pelo imperador Júlio César em 46 a.C. Nesse calendário, foram introduzidos 12 meses que alterariam entre 30 e 31 dias, com exceção de fevereiro, que teria 29. Nessa proposta, a cada três anos deveria se introduzir um dia a mais no mês de fevereiro.    

Ajustes (e vaidades)

No ano 8 d.C., o imperador Augustus promoveu uma correção na qual o dia extra deveria ser introduzido a cada quatro anos e tirou um dos dias de fevereiro, transferindo-o para o mês de agosto – batizado em sua homenagem pelos senadores romanos –, pois julho – uma homenagem a Júlio César – tinha também 31 dias. Esse calendário funcionou muito bem, pois aproximava-se do período do ano solar, mas não com absoluta precisão. Nele, cada ano tem em média 365,25 dias, levando a uma pequena diferença de 0,008 dias por ano.
Contudo, com o passar dos séculos, essa diferença começou a ficar significativa. No ano de 1582, a diferença chegava a aproximadamente 10 dias. Em 24 de fevereiro daquele ano, o papa Gregório XIII promulgou um novo calendário, que fez algumas correções importantes no calendário juliano. Entre elas, a supressão de 10 dias entre os dias 5 e 14 de outubro daquele ano e a indicação para que o início do ano ocorresse no dia 1º de janeiro – antes disso, o ano começava em março. 
O calendário gregoriano, como ficou conhecido, somente precisará realizar uma correção a cada 3.300 anos
Mas a mudança mais importante foi que, a partir de então, os anos seculares que não fossem múltiplos inteiros de 400 não deveriam ser bissextos. Assim, o ano 2000 foi bissexto, mas 1900, não e nem 2100 será. Essa correção permite que não ocorra a defasagem que apresentava o calendário juliano.
O calendário gregoriano, como ficou conhecido, somente precisará realizar uma correção a cada 3.300 anos, ou seja, retirar um dia. Atualmente, esse calendário é utilizado em praticamente todo o mundo, mas demorou para ser aplicado na época, principalmente nos países protestantes e anglicanos, que não reconheciam a autoridade papal.
Os calendários nos permitem marcar as datas dos acontecimentos importantes, não apenas os eventos históricos, mas também os particulares. Cada um de nós tem pelo menos uma data especial para comemorar a cada ano.

Calendário cósmico

Assim como os calendários humanos, construídos com base em elementos culturais, seria possível imaginarmos um calendário que marcasse todos os eventos importantes do universo?
O astrônomo estadunidense Carl Sagan (1934-1996) apresentou no seu livro Dragões do Éden, um ‘calendário cósmico’ no qual o universo teria iniciado com o Big Bang no primeiro segundo do dia 1º de janeiro e os dias atuais representariam o último segundo do dia 31 de dezembro. 
Big Bang
No calendário cósmico idealizado por Carl Sagan, o universo teria iniciado com o Big Bang no primeiro segundo do dia 1º de janeiro. (arte: Flickr/ garlandcannon – CC BY-SA 2.0)

Nesse calendário, 24 dias representariam um bilhão de anos e um segundo, 500 anos.Neste link, pode-se observar algumas datas significativas do calendário cósmico.
De fato, ainda não se sabe ao certo se o tempo começou com o Big Bang. E se o universo que conhecemos hoje fizer parte de um multiverso maior, no qual o nosso é apenas uma ‘bolinha’? Assim, haveria um tempo antes do Big Bang. Contudo, ainda não temos uma resposta definitiva.
A marcação dos eventos nos ajuda a contar as nossas histórias. Dessa maneira, os calendários, sejam quais forem, continuarão a ser fundamentais para fatiarmos o tempo e nos encontrarmos em cada pedaço dele.


Adilson de Oliveira
Departamento de Física
Universidade Federal de São Carlos



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A fama a qualquer preço!

Cada ano que passa e cada ano novo que entra, a superação da espetacularização na mídia brasileira aumenta. E é desesperador as coisas que passam e são elevadas fama, obviamente até algo mais espetacular ou bizarro aparecer e novamente ser lançado as alturas. Definitivamente vivemos em uma realidade, que se olharmos somente os canais televisivos, é de ficar assustado com o país em que vivemos. Ainda bem que temos ainda muitos e muitos espaços que discutem e refletem sobre isto. As gerações que estão vindos, diferente da minha, que falávamos, quando a pessoa queria aparecer, para pintar o nariz de palhaço, hoje é dita a elas, por este excesso de exposição, que é preciso fazer algo novo, muito bizarro para aparecer... O fator melancia é um ótimo texto, pontual, objetivo e coerente com estes primeiros 18 dias de 2012, que muita coisa já apareceu para ocupar o espaço das mídias, que cada vez mais esperam algo "explodir" na internet para correrem atrás.




Fonte da imagem: http://danizudo.blogspot.com


O fator melancia
Por Cynara Menezes - 18/01/2012
“Tá querendo aparecer? Pendura uma melancia no pescoço”, se dizia aos mais exibidinhos quando a discrição ainda era considerada uma qualidade no mundo. Lembrei da frase ao ler a bizarra notícia de que a mulher de Taubaté que apareceu em tudo quanto é tevê, jornal e site dizendo que ia ter quadrigêmeas, na verdade não está grávida nem nunca esteve. Em vez de pendurar a “melancia” no pescoço, ela enfiou debaixo do vestido. E virou celebridade.
om seu longo estampado e larguíssimo de gestante ao quadrado, era seguida pelas ruas, solicitavam-lhe autógrafos, crianças pediam para posar a seu lado em fotografias. Era amada. Assistindo às reportagens no Youtube, percebem-se algumas das razões psicológicas da moça para apelar a uma gravidez inventada: a notícia a reaproximou do pai, com quem estava rompida desde que se casara, porque ele a achava jovem demais para o marido. O “pai” das quadrigêmeas, aliás, é vasectomizado.
É possível que na cabeça da moça uma gravidez fosse a solução para questões familiares. Mas por que alguém teria uma gravidez psicológica de quatro bebês e não um? Aí entra o fator melancia: para aparecer.
Em tempos de reality shows, não basta que as farsas, pequenas ou grandes, se encenem entre quatro paredes. É preciso exibi-las e tirar proveito disso. Estar falsamente grávida apenas para a família não era suficiente para dar à moça a ilusão de felicidade, era preciso que a fama viesse junto. Não há nada que indique que ela se moveu por dinheiro.
Outro caso recente de desejo de celebridade a toda custa foi o do homem, em plena ocupação da Cracolândia pela polícia, que se fez passar por um integrante do grupo de pagode Katinguelê.
Enquanto o pau comia ao redor, diante das câmeras de TV e canetas frenéticas, o rapaz contava sua história dramática, para arrancar lágrimas de leitores e telespectadores: tinha vendido o cavaquinho para comprar “pedra”. Teve seus 15 minutos de fama até que o verdadeiro Juninho do Banjo aparecesse. O tipo de coisa que faz a gente pensar: ser famoso parece mais importante do que largar o vício do crack…
Em dezembro de 1980, o americano Mark David Chapman assassinou o beatle John Lennon com quatro tiros. Em depoimento revelado em 2004, Chapman disse que matou porque se sentia inferior ao ídolo, porque invejava e queria ter a mesma fama de Lennon: “Eu pensava ser um grande ninguém, um grande nada e eu não conseguia superar isso.” O mais impressionante é que, mesmo detrás das grades, ele considerava que o estratagema de certa forma funcionou. “Sou um ninguém maior agora do que era antes.”
De lá para cá, a busca mórbida do criminoso por notoriedade se repetiria inúmeras vezes. Felizmente, o assassinato para se tornar célebre não se tornou uma pandemia, mas é inegável a esquizofrenia que se criou em torno do desejo de aparecer.
Seja colocando silicone na bunda ou se espremendo dentro de um carro com outras 15 pessoas, vale tudo para se tornar conhecido na mídia, e ela mesma incentiva o desfile de aberrações – inclusive financeiramente. O freak show da fama está apenas começando e é de dar medo imaginar o que vem por aí.


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Fim do mundo e sociedades secretas: acredite quem puder e quiser!

Fim do mundo, sociedades secretas... mitos, verdades ou somente mais uma indústria?

Chegamos ao ano de 2012 e a pergunta esta lançada em diferentes espaços midiáticos: o mundo vai acabar? Novamente observamos um fenômeno histórico e milenar no qual a humanidade, em diferentes culturas e épocas passou inúmeras vezes e até agora o mundo continua no mesmo lugar. No texto a seguir, além das profecias apocalípticas, temos também a questão das sociedades secretas, outro elemento que nos últimos anos ganhou espaço e arrecadou alguns bilhões de dólares pelo mundo afora? Como as sociedades secretas são tão conhecidas? Eis uma pergunta que precisa de uma resposta. Boa leitura! 

A indústria do mistério

A mitificação das sociedades secretas vem sendo mais ressaltada pela mídia do que a explicação dos enigmas que as rondam

21/10/2011 - Por Marco Morel *
A indústria do mistério se destaca nas bancas de jornal, telas de computadores e televisões, vitrines de livrarias, painéis de propaganda e nos mais variados meios de (in)comunicação. Espalha-se por toda parte, nas mesas de cabeceira, nas horas de lazer, nas conversas em família ou no ambiente de trabalho.
Em que se baseia esta ampla engrenagem de escala mundial? Mistério, místico, mito, mitificação, mistificação, mitologia. Fabuloso, fábula. História, histórias, estórias. Segredo, sagrado. Palavras fortes com fronteiras fracas e definições difusas são ingredientes de um fenômeno que seduz multidões e fatura incontáveis milhões por meio de narrativas que mobilizam corações e mentes. Como os monstros das culturas antigas, tal indústria se alimenta de anseios ancestrais, desejos atuais e insegurança diante do futuro. O sucesso destas imagens e palavras desafia o pensamento crítico contemporâneo e, particularmente, os historiadores profissionais.
Uma inscrição de data no Calendário de Contagem Longa Mesoamericano. Wikimedia Commons
Uma inscrição de data no Calendário de Contagem Longa Mesoamericano. Wikimedia Commons

Fábula é alimentada pela "ignorância em história e cronologia"
Apontada frequentemente como a mais misteriosa, a maçonaria, entretanto, não é secreta (exceto em momentos de intensa repressão). Mas, sim, discreta, como afirmam seus membros. Os rituais é que são reservados apenas aos “iniciados”: podem ocorrer reuniões às escondidas, mas nem por isso superpoderosas a ponto de controlarem os destinos do mundo. No Brasil existiam publicações assumidamente maçônicas já na primeira metade do século XIX, quando o tema passou a ser tratado abertamente pela imprensa. Desde o pioneiro Hipólito da Costa no Correio Braziliense (1808 – 1822), a maçonaria era referida em centenas de publicações. E várias das entidades, desde então, têm endereço conhecido, placa na porta e publicações periódicas com nomes e fotos de seus membros. Basta dar uma busca na Internet. Além disso, nem todo agrupamento clandestino é maçônico.
Já no século XVIII, a Encyclopédie francesa (obra matriz da racionalismo moderno) afirmava que uma das mais fecundas fontes de fábulas é “a ignorância em história e cronologia”. Pode parecer caricato agitar num mesmo coquetel o Paraíso, Templo de Salomão, Ordem Rosa Cruz, maçonaria, Ordem dos Templários, Egito Antigo, gênios da música clássica, personalidades da política mundial, Profetas do Aleijadinho, Tiradentes, Leonardo da Vinci, imperialismo norte-americano e autoritarismo soviético, entre outros temas e personagens. Lembra vagamente carros alegóricos de escolas de samba. Na verdade, trata-se de uma receita eficiente na arte de convencer e... vender.
“Nesta obra, iremos relatar de que forma as chamadas ‘sociedades secretas’ se apoderaram do direito de ditar as regras e objetivos da humanidade. Veremos também a participação de algumas delas nos momentos decisivos da história, além de suas ambições sem precedentes perante o desejo de chegar ao poder a qualquer custo”.

Publicações de sucesso
É o que promete, sem muita modéstia e sob um logotipo imitando carimbo confidencial, a publicação Sociedades Secretas, da Editora Escala, que retoma a lista dos grupos “misteriosos” acrescentando outros itens à receita, como a heresia dos cátaros medievais, os carbonários do século XIX e, é claro, a maçonaria, alcunhada de  “sindicato (sic) de pedreiros da Idade Média” que “se tornou a sociedade secreta mais influente de todos os tempos”, detentora dos “segredos dos mestres”.  Nunca se viu tanto segredo alardeado pelas mídias – o “coquetel” parece uma bebida que só aumenta a sede.
Também interessante é o pequeno texto introdutório do nº 20 da revista Leituras da História, assinado pela editora Sílvia Haidar. “Quem nunca riu ou até mesmo se deixou levar por uma boa teoria da conspiração?”, lança, num ameno desafio. Para adiante encaixar: “Agora imagine quanto pano para manga não rende uma sociedade secreta suspeita de controlar economia e política mundiais”. A editora tem razão, rende mesmo – e não só pano para mangas.
Em artigo de autoria de Cíntia C. da Silva na revista Aventuras na História, da Editora Abril, surfamos na onda dos grandes enigmas da humanidade:
“Rituais estranhos e códigos que os integrantes devem levar para o túmulo fazem parte das organizações mais misteriosas do mundo. Conheça as principais. A trama de O Código Da Vinci, o maior sucesso editorial dos últimos anos, foi toda construída a partir da fascinante ideia de que sociedades secretas não só existem como podem mudar o rumo dos acontecimentos e da história como a conhecemos hoje. Algumas dessas sociedades ocultas, como o Priorado de Sião e o Opus Dei, têm papel de destaque na aventura descrita pelo escritor americano Dan Brown. (...) Essas sociedades também seriam responsáveis por planos conspiratórios que teriam um único objetivo final: dominar o mundo”.
O domínio do mundo soa como samba de uma nota só, ainda que prudentemente os verbos se conjuguem no condicional. Saltando sobre as poças de séculos e até milênios, o mesmo texto trata do “grego Pitágoras, que viveu entre 580 e 500 a.C., fundou sua própria sociedade secreta ao retornar do Egito.”. E vai até a “Skull and Bones – sociedade da qual faria parte o presidente americano George W. Bush”, cruzando com outros grupos ou entidades pelo meio do caminho. A forma maçônica contemporânea surgiu na Inglaterra no século XVIII e expandiu-se rapidamente por vários países. Ficaria até difícil contar os elos perdidos... “Para os que estão de fora, o real poder e a influência dessas organizações são tão nebulosos quanto essas instituições em si. Nesse terreno, o que não falta é especulação”. Acertada conclusão da redatora.
Sete profecias maias

E as sete supostas profecias dos maias que teriam previsto o fim do mundo para o dia 21 de dezembro de 2012? O curioso é que a maioria das publicações não parece levar o assunto a sério. A revista Vejaprocurou desmistificar o tema, produzindo matéria significativamente intitulada “O fim do mundo em 2012”, que começa da seguinte forma:
“Os planetas, as estrelas, o calendário maia e, é claro, uma superprodução de Hollywood reavivam a ideia aterrorizante do apocalipse e levantam uma questão: por que continuamos a acreditar em profecias finalistas apesar de todas elas terem fracassado redondamente?”
Uma das respostas poderia vir com outra pergunta: por que insistir num tema assumidamente inverossímil? A onda maia, se assim podemos chamar, resulta também de uma divulgação midiática, superficial e bombástica de complexas tradições indígenas, manipuladas e retiradas de seu contexto, buscando impressionar e atrair o consumidor-leitor tocado por inquietações num mundo em crise de valores.
Enfim, não poderiam faltar figuras com aguçado senso de oportunidade, como o empresário Jack Dowd, de Iowa (EUA), que resolveu vender passagens só de ida para outros planetas, fornecendo, inclusive, novo passaporte, a quem deseja fugir do anunciado cataclismo. Afirmando tratar-se, inicialmente, de uma brincadeira, para que se oferecessem presentes a amigos como piada, ele garantiu ter se surpreendido com a aceitação do produto. Como dizia o humorista Aparício Torelly (1895-1971), apelidado Barão de Itararé, o mundo dos vivos é cada vez mais governado pelos mais vivos.
Maçonarias diversas
O ingrediente principal de todas estas receitas (que procuram desvendar o que estaria oculto, alardeando aos quatro ventos) é a maçonaria. “A francomaçonaria, mais conhecida como maçonaria, é uma das sociedades secretas mais antigas do mundo. Seus rituais são envoltos em mistérios e cerimônias que, para muitos, podem parecer estranhos e até aterradores. Ao longo da História, muitos líderes e figuras públicas aceitaram abertamente integrar a fraternidade dos maçons, abrindo brechas para que os amantes de teorias conspiratórias especulassem sobre a origem e influências desta sociedade secreta”. Lemos assim um resumo lapidar da insistente versão midiática sobre tal agremiação, obra do Discovery Chanel, que exibiu um programa autointitulado científico em torno do tema, para em seguida vendê-lo em DVD.
Discutir se as maçonarias agiram de forma poderosa e camuflada sobre os destinos humanos é resvalar para um falso problema. O que está em jogo é a própria maneira de compreender a história. Afirmar um elo contínuo (mantido de forma oculta) e linear numa instituição (que seria a mesma) entre épocas milenares é, no mínimo, arriscado. Símbolos como triângulos, alegorias de animais, desenhos de sol e olhos em destaque são universais – fazem parte das maçonarias como de outras manifestações da vida coletiva e da cultura humana.
Não existiu, nem existe, apenas uma maçonaria, centro possante, aglutinador e atemporal, mas, sim, diversas organizações maçônicas ao longo do tempo. A maçonaria é mais uma forma de organização – ritos e símbolos em diversos locais e épocas – do que uma entidade monolítica e coerente.
Logo, é compreensível constatar que nunca se formulou uma ideologia maçônica coesa, mas, sim, um conjunto de valores e símbolos. A diversidade histórica dificulta a tarefa de demarcar o campo ideológico maçônico. Apesar de ter como alvo a Perfeição Universal, a história dos maçons é repleta de atitudes típicas da condição humana: solidariedade e traição, acordos e desavenças, esperanças e frustrações, relacionando-se com as ideologias de cada época. Durante a campanha abolicionista (1880-1888) no Brasil, por exemplo, havia pedreiros-livres contra e a favor da escravidão.
Os “Grandes Personagens” compõem outro ingrediente do atrativo maçônico. Em cada país aparecem nomes expressivos da cultura e da política, alguns comprovadamente maçons, outros nem tanto. No caso do Brasil, por exemplo, a trajetória maçônica de D. Pedro I foi ao mesmo tempo fugaz e fulminante. O jovem monarca passou bem rápido de “profano” a Grão-Mestre. Em 2 de agosto de 1822, o ainda príncipe regente Pedro foi acolhido pelo Grande Oriente do Brasil como simples iniciante, no primeiro grau, por iniciativa do Grão-Mestre José Bonifácio. Na reunião seguinte, três dias depois, passou para o grau de mestre. E na sessão de 4 de outubro, ausente, aliás, Bonifácio, D. Pedro foi aclamado Grão-Mestre, galgando assim em dois meses todos os degraus da Perfeição Universal – oito dias antes de sua aclamação pública como imperador do Brasil. Entretanto, dezessete dias depois de ascender a Grão-Mestre, D. Pedro I proibiu por escrito as atividades maçônicas, reprimindo esta instituição no país recém-independente. Curioso Pai-Fundador.
A maioria dos maçons não é composta de pessoas famosas. Paradoxalmente, tal perfil gera uma atitude no sentido oposto. Supervalorizar, à maneira típica do século XIX, o papel dos “Grandes Vultos” e dos complôs é deixar de lado complexidades das situações e dos fatores sociais, além de ocultar (aí sim) conjuntos expressivos de agentes históricos, ainda que não famosos, que integram as sociedades e as lutas de cada tempo. Nada mais atraente, sob esse ponto de vista, do que “escolher” antepassados ilustres. A identificação com estes pode ser gratificante, ainda mais em tempos nos quais as celebridades equivalem, na cultura de massa, a deuses encarnados.
Ao contrário da compreensão mais comum, mito não quer dizer mentira, mas, sim, um conjunto de narrativas de forte conteúdo simbólico. Mais do que desacreditar de tais símbolos, é importante tentar compreender o chão de onde se sonha. A ponte imaginária entre o passado e o presente pode servir como sal da vida: ajuda a dar sentido maior a um cotidiano muitas vezes sem graça, atravessado de frustrações, angústias e problemas que o racionalismo não consegue resolver (e até pode torná-los insuportáveis).
Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo de Sérgio Porto) criou o Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá) para expressar as situações que presenciava durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). Hoje, talvez ele tivesse que mudar a sigla para englobar a humanidade. Afinal, o que se apreende diante de tantas coloridas e enfáticas publicações, em papel ou pelas telas, alardeando explicação e descoberta dos mistérios? Ficamos realmente integrados ao segredo? E qual segredo? Quanto mais revelado, mais o mistério atrai e se retrai. Mais se consome sem que desapareça a fome. No sentido básico, segredo remete a uma verdade oculta. Há que buscá-la, ou seja, alardeá-la. A crise de valores, os riscos ambientais, a escalada de violência, enfim, sinceras inquietações e (des)esperanças de milhões de habitantes do planeta servem, entre outras consequências, para aumentar o faturamento da indústria cultural, cujas produções parecem mais empenhadas em realimentar do que em explicar o claro enigma.

Marco Morel é professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e coautor de O poder da maçonaria – a história de uma sociedade secreta no Brasil (Nova Fronteira, 2008).

Saiba Mais - Bibliografia
BARATA, Alexandre M. Luzes e sombras. A ação da maçonaria brasileira (1870-1910). Campinas: Editora da Unicamp/Fapesp, 1999.
BARATA, Alexandre M. Maçonaria, Sociabilidade Ilustrada e Independência do Brasil (1790-1822). São Paulo/Juiz de Fora: Annablume/EDUFJF/Fapesp, 2006.
CARVALHO, William Almeida de A. Maçonaria no Brasil: Análise da produção científica universitária,http://www.freemasons-freemasonry.com/22carvalho.html

domingo, 15 de janeiro de 2012

O papel feminino ontem e hoje: mudanças nas últimas décadas


A concepção do papel feminino sofreu alterações nas últimas décadas do século XX, devido as revoluções ocorridas após a década de 1960, principalmente. Mudanças significativas em alguns aspectos, embora outros ainda percebe-se como o machismo na sociedade ainda mantenha-se. O conteúdo a seguir nos mostra como a pesquisa histórica desvenda estas verdades que se modificam com as mudanças sociais, econômicas e políticas.





Só fica encalhada quem quer

Manual intitulado Agarre seu homem aconselha as mulheres a se empenharem nos cuidados da casa

Regina Helena Santiago - 17/6/2010

Quem vê a profusão de revistas femininas nas bancas de jornal pode pensar que a publicação de dicas e conselhos sobre beleza e relacionamento é um fenômeno recente. Mas, consultando o acervo de Obras Gerais da Biblioteca Nacional, é possível encontrar um livro de 1945 que é um autêntico precursor do gênero. Trata-se de Agarre seu homem, de Veronica Dengel, conhecida dona de salão de beleza nos Estados Unidos.

A partir da experiência e da conversa com inúmeras mulheres, a autora dá conselhos às leitoras de como conservar um marido. Mas logo de início adverte que “altos níveis de poder físico, mental e emocional só podem ser alcançados através do esforço diário no sentido do auto-aperfeiçoamento”. 
 
Na crista da onda de seu tempo, a publicação conta com ilustrações de Constantin Alajálov (1900-1987), desenhista e ilustrador russo-americano, famoso pelas capas que fez para revistas como The New Yorker e The Saturday Evening. A tradução é de Suzana Flag, conhecido heterônimo de Nelson Rodrigues (1912-1980). O mesmo com que o autor assinou outros quatro romances publicados na mesma época, como Meu destino é pecar. Será que ele aproveitou para se inteirar dos secretos hábitos femininos e compor seus polêmicos personagens?

Os dotes físicos são pontos importantes da exposição de Veronica Dengel.  Segundo ela, a leitora precisa, em primeiro lugar, fazer uma autoanálise, respondendo minuciosa e francamente a mais de 30 perguntas referentes a pele, cabelos, silhueta, pernas e até “eliminações diárias”. Mas para que essa tarefa tenha proveito, não adianta se enganar – é preciso enfrentar um “espelho imparcial”. Assim, ela poderá identificar as medidas a tomar para atrair o parceiro de sua vida. As questões que porventura tenham que ser resolvidas não devem ser motivo de desespero: o livro traz inúmeras receitas para suavizar a pele e os cabelos e para emagrecer. O objetivo final é sempre o mesmo: conservar “certa qualidade de doce ilusão”.

Depois que o parceiro já foi conquistado, a missão é mantê-lo apaixonado. Veronica Dengel vai, então, “pôr em evidência as atitudes e ações que colocam o seu casamento em perigo.” A primeira é o descuido com a beleza. Afinal, se a mulher se apresenta bela no início do relacionamento, está indicando que assim permanecerá. O desleixo significa propaganda enganosa durante o namoro. 

No entanto, não são apenas as aparências que contam; a mulher deve trazer ainda um encanto mental que precisa ser adquirido por meio do constante desenvolvimento intelectual. Isso inclui o interesse pelos assuntos do marido e exercícios do cérebro com pensamentos estimulantes. Para Dengel, é preciso buscar livros, críticas de peças e filmes, informações sobre exposições de arte e controvérsias políticas. “Essa base de informações tornará possível a sua participação em qualquer discussão, e seu marido não agonizará de medo quando você estiver conversando com um importante homem de negócios no qual ele gostaria de provocar uma boa impressão.”

Do ponto de vista emocional, a principal meta da mulher deve ser criar uma atmosfera de “contentamento” no ambiente e nas relações familiares. Para isso, tem que planejar e executar deliciosas refeições, além de manter uma boa organização do lar, sem denotar ou reclamar do esforço empregado nessas atividades. Os conflitos e discussões devem ser reduzidos ao mínimo e, se possível, eliminados por completo, devendo a esposa estar sempre atenta aos “três diabinhos”: egoísmo, ciúme e mentira.

Nos domínios da cozinha, Veronica Dengel avisa: “Ele não se incomodará com o conteúdo do menu, contanto que seja farto e gostoso. Ele não dará atenção às horas de trabalho que aqueles pratos exigiram para sua preparação, nem compreenderá o motivo de você não poder estar calma e descansada à mesa do jantar.” “O apetite da maioria dos homens é facilmente satisfeito com uma carne bem assada, verdura fresca e deliciosa sobremesa.” Mas é preciso fazer uma ressalva: “A cintura de seu marido deve ser controlada, tanto quanto a sua.” 

E assim como suas sucessoras modernas nas bancas, a publicação vinha ainda com um capítulo lacrado, com selo, e com a recomendação de que a leitora o removesse a fim de que o marido não soubesse do que ele tratava: tópicos de “natureza privada”, como menopausa, “assuntos que têm relação com o banheiro” e maus hábitos, como o tabagismo. Tudo tratado de maneira “aberta e franca”. Que bom que os cuidados com o acervo de Obras Gerais da BN garantiram a integridade dessa pérola.







sábado, 14 de janeiro de 2012

Público e privado nos tempos do jornal!!

Nos dias de hoje o mundo virtual com suas comunidades e redes sociais transpõe de maneira significativa o mundo privado e público. Para muitas pessoas (e no Brasil este é um fenômeno) expor sua vida privada para a rede mundial não é problema algum, sendo parte das vivências do cotidiano. O microblog é um exemplo disso da necessidade de exposição e aumento do número de amigos virtuais. 
Em tempos passados o jornal era a forma que algumas vezes a fronteira entre o privado e o público era rompida e circulavam assim as sujeiras e intrigas familiares. O artigo abaixo é um exemplo deste tipo de situação, em que a informação não era assim instantânea e o público atingido era bem inferior que hoje nos tempos da globalização da informação. 

Roupa suja se lava no jornal

Documentos do século XIX encontrados na Biblioteca Nacional expõem briga de família para folhetim novelista nenhum botar defeito, antecipando promiscuidade entre público e privado à altura dos tempos de Twitter e Facebook

Lia Jordão    9/1/2012
Indignado com a traição da mulher com o genro, José da Cunha expôs publicamente as mazelas da família. Acima a charge
Indignado com a traição da mulher com o genro, José da Cunha expôs publicamente as mazelas da família. Acima a charge

“Annuncio de Antonio José da Cunha” e a “Resposta ao annuncio” por Bernardo José da Costa, impressos por encomenda dos autores na Imprensa Imperial e Nacional, circularam em 1826. Encartados no Diário Fluminense com uma semana de diferença, os documentos contam uma briga de família de folhetim para novelista nenhum botar defeito. Também antecipam a promiscuidade entre público e privado à altura dos tempos de Facebook ou Twitter.
Tudo começa com a publicação do libelo de Antonio José. Danado da vida com o que chamou de “execrável profanação”, divulga um rol impressionante de improbidades cometidas contra sua pessoa por sua esposa, seu genro e sua filha. Explica que, após ausência de três anos, retorna à Corte e ao lar e encontra sua mulher grávida do genro! Este, por sua vez, havia “violado a pudicícia” de sua filha, com quem acabou se casando para reparar o malfeito.
 Com profunda dor de cotovelo, Antonio se esmera na descrição de seus desgostos: sua esposa, “esquecida dos sentimentos de pudor, o mais belo ornamento de seu sexo, quebrou a união conjugal, e que fora seguida de sevícias e (...) escandalosas libertinagens”. Seu sofrimento era tamanho que “as lágrimas involuntariamente corriam de seus olhos”! O leitor quase se solidariza com o infeliz, injustamente “lançado à desonra pública”. Não bastasse, o marido traído acusa a família de se unir para matá-lo, asfixiando-o com um pau e aproveitando sua vulnerabilidade momentânea para derrubá-lo escada abaixo, sem dó nem piedade. Felizmente, Deus fez a sua parte e ele escapou da morte.  Em seguida, a família saqueia sua casa, levando as pratarias e objetos de valor. E ainda foge para providenciar o aborto da criança e dar sumiço às provas do adultério.

A indignação do marido vai explodir quando, “buscando o caminho das leis, persuadido de que só nelas o cidadão encontra segurança”, se vê diante de um Tribunal “insensível às suas lágrimas e indiferente à causa dos bons costumes”. É a gota d’água! Ele decide que, “se o Altar da Justiça foi só para proteger o crime tão funesto na ordem da sociedade, eu os deixarei entregues à opinião pública, que os conhece e detesta...”. Tenta desmoralizar o sistema jurídico, dizendo que este se valeu de falsos testemunhos para contradizer a acusação, recrutando “mulheres corrompidas e cúmplices”. Além disso,questiona a legitimidade da sentença, uma vez que, segundo ele, tinha tido parecer favorável do próprio imperador.

Corno ou caluniador?
O outro lado da história aparece na semana seguinte, quando o genro conta sua versão usando os mesmos meios do sogro. Encarta no jornal sua “Resposta”, desmentindo todas as acusações do “caluniador” e trazendo novos elementos para o enredo.
Conta que seu casamento com a filha, “a quem ternamente ama”, foi absolutamente legítimo e contou com a aprovação do pai, que inclusive deu como presente de casamento dois escravos, e os convidou para viver em sua casa. E que em hipótese alguma praticaria o abominável “adultério incestuoso” com sua sogra, bem como o aborto do suposto feto. Segundo Bernardo, foi ganância a origem de todo o mal: seu sogro – “chefe cabeçudo, teimoso e insolente” – quis obrigar a esposa a assinar um papel em branco que lhe permitisse  dilapidar o patrimônio familiar e ir embora com o dinheiro.
Bernardo nega veementemente a acusação de tentativa de assassinato. Relata que foi o próprio caluniador que chegou à casa, diante da recusa da esposa a assinar o papel, “levando o seu danado espírito de raiva e impróprio do sexo varonil, qual foi – o entrar a fazer bulha em casa com um pau de machado e ao mesmo tempo gritar (...) contra a mulher, filha, e genro, que o matavam....”. E solta o verbo sem pudor: “Endiabrado homem! Manhoso! Embusteiro!”. Aproveita também para refutar a acusação de roubo.
O genro encerra com eloquência: “Em poucas palavras: Antonio José da Cunha esteve em Santos quatro anos menos quatro meses, vivendo como ele quis, sem querer saber da família que aqui deixara; sem lhe mandar socorro algum para a sua subsistência; precisando sua mulher e filha lavar e engomar roupas de estranhos para viverem.” Ora, quem vai à roça perde a carroça, amigo!
Diante de tal discrepância de relatos, não seria possível tomar partido. Afinal, apesar de ambos apelarem para o juízo da opinião pública, diz o ditado que em briga de marido e mulher não se mete a colher. Mas que a fila anda, anda...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Machu Picchu: um dos destinos da viagem de fim de ano!! Valeu a pena!!!

100 anos depois de "redescoberta" de Machu Picchu (Peru) pelo professor estadunidense Hiran Bingham, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente esta cidade e que valeu todo o investimento e esforço!! Em breve maiores comentários sobre a viagem entre Bolívia e Peru realizada neste fim de 2011 e início de 2012!