Metamorfoses Históricas: História, livros, músicas, cinema e motos!

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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O Fantasma da Energia Nuclear

O fantasma da energia nuclear ronda o mundo desde seu uso a partir da década de 1940. Seu uso para produção de energia elétrica ou como item bélico vem sendo questionado ao longo das últimas décadas e os desastres com este tipo de produto geram um grande impacto no meio ambiente bem como nos meios de comunicação.
E o Japão é assolado por este fantasma desde 1945, com as bombas atômicas lançadas em Hiroshima e Nagasaki. Recentemente o tsunami que devastou parte da costa japonesa (2011), levou ao colapso a usina nuclear de Fukushima e as previsões não são nada animadoras para os próximos anos, ou melhor décadas!

29/10/2012 - 15h19

Peixes de Fukushima podem ficar "não comestíveis por uma década"

FIONA HARVEY do "GUARDIAN"


Os peixes que vivem nas águas próximas à usina nuclear de Fukushima, no Japão, podem apresentar radiatividade elevada demais para consumo por ao menos uma década, revelam amostras que demonstram que os níveis de radiatividade permanecem elevados e mostram pouco sinal de queda.


De acordo com estudo publicado na edição da última quinta-feira (25) da revista "Science", as espécies de maior porte e as que vivem perto do piso do mar oferecem o maior risco, o que significa que bacalhaus, alabotes, julianas, raias e linguados das águas em questão terão seu consumo restrito por anos.
Kazuhiro Nogi/AFP
Centenas de manifestantes japoneses protestam em Tóquio contra a política energética nuclear do governo
Centenas de manifestantes japoneses protestam em Tóquio contra a política energética nuclear do governo

Amostras de peixes pescados nas águas próximas aos reatores desativados depois de um desastre sugerem que ainda existe uma fonte de césio no piso do mar ou ainda em descarga para as águas marinhas, talvez pelo resíduo da água usada no resfriamento do reator da usina. Como os níveis de isótopos radiativos nos peixes não estão caindo com a rapidez que deveriam, as perspectivas da pesca na área devem ser pobres pelos próximos dez anos, disse o autor do estudo ao "Guardian".

"Esses peixes podem ter de ficar proibidos por muito tempo. A coisa mais surpreendente para mim foi que os níveis [de radiatividade] nos peixes não estavam caindo. Os números deveriam estar muito mais baixos", disse Ken Buesseler, cientista sênior da Woods Hole Oceanographic Institution, nos EUA, e autor do estudo intitulado "Pescando Respostas ao Largo de Fukushima".
Ele disse que suas constatações --extraídas em parte de pesquisas japonesas e em parte de amostras de peixes obtidas na área-- demonstram como é difícil prever o resultado de um incidente nuclear tal como o de Fukushima. Em 2011, depois do terremoto e tsunami que atingiram o Japão em 11 de março e causaram a morte de quase 20 mil pessoas, os reatores nucleares da usina sofreram uma série de vazamentos de radiação causados pela falha de seus sistemas de refrigeração, e os trabalhadores da usina tiveram de trabalhar freneticamente para desativá-los. Foi o pior desastre nuclear no planeta desde o de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

Depois do incidente, o governo japonês tentou acalmar o temor do público baixando o nível de radiatividade que torna um peixe inapropriado para o consumo humano. Desde abril de 2012, só podem ser vendidos no Japão peixes que contenham menos de cem becqueréis de césio 134 e de césio 137 por quilo de peso, ante um limite anterior de 500 becqueréis.

Buesseler disse que isso havia acontecido não por conta de uma mudança nas recomendações científicas, mas porque o governo desejava reassegurar a população. "Não é um nível letal. Não estou tentando ser alarmista", disse. "Mas os níveis de radiatividade nos peixes testados são mensuráveis e consistentes. Representam uma pequena elevação de risco".

Ele acrescentou, porém, que comer grande quantidade desses peixes por prazos longos poderia ser prejudicial. Os peixes são parte mais importante da dieta no Japão do que em países como os Estados Unidos e Reino Unido.
Tradução de PAULO MIGLIACCI.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Os cidadãos, as armas e a Constituição dos Estados Unidos

Os Estados Unidos é uma das nações do mundo que apresenta a possibilidade de seus cidadãos adquirirem as armas necessárias para sua segurança, podendo ser um revólver, uma pistola, um fuzil.... o equipamento que o cidadão julgar ser preciso para sua defesa. Uma conquista da sociedade no seu processo histórico. 
Mesmo com os casos de atiradores que abrem fogo em escolas ou cinemas e acabam causando comoção, o debate sobre o desarmamento ainda é um tema que não ganha espaço, muito menos no período das eleições presidenciais. Dois motivos: um, confrontar a Constituição, considerada como sagrada nos EUA e o segundo, a quantidade imensa de lucro que está indústria gera anualmente e alimenta também as eleições.


Controle de armas é tema tabu para candidatos nos EUA

outubro 19th, 2012 | Posted by Sabrina Duran in Dallas

Durante o segundo debate entre Barack Obama e Mitt Romney, na terça-feira (16/10), foi levantada uma questão importante, mas que, curiosamente, quase não foi tocada pelos candidatos em suas campanhas e muito menos nas respostas que deram durante o debate: o controle da venda de armas e munição aos civis.

A pergunta, destinada primeiro a Obama e depois respondida por Romney, era “o que a administração dos democratas havia feito ou pretendia fazer para tirar das mãos da população as armas de assalto?”. O termo “armas de assalto” é utilizado nos Estados Unidos para designar armas com grande poder letal, capazes de disparar vários tiros em curto espaço de tempo e que podem ser recarregadas com facilidade. Em tese, essas armas seriam de uso específico militar, mas em muitos lugares do país podem ser compradas facilmente, inclusive pela internet.
Só nesse ano, os Estados Unidos tiveram seis assassinatos em massa cometidos por civis. Desde 1981, 61 ao todo. Os dados, analisados pela revista Mother Jones, mostram importantes similaridades entre os fatos: a maioria dos crimes foi cometida por civis que agiram sozinhos, em locais públicos, matando pelo menos quatro pessoas com armas e munições (muitas delas de uso militar) obtidas, em sua maioria, de forma legal.
A aura sacra da segunda emenda
Obama respondeu justificando que os EUA têm uma longa tradição de caça, esportes e de auto-defesa e que “acredita na segunda emenda da constituição americana”, de 1791, que garante aos cidadãos o direito de manter e portar armas. O democrata disse também que o governo precisava reforçar as leis de controle que já existiam e tratar de manter as armas longe das mãos dos criminosos.
Em seguida, Obama derivou para uma explicação sobre como reduzir a violência de modo geral por meio da educação aos jovens. Ao fim, a  resposta sobre como tirar as armas de assalto das mãos da população não veio, nem por meio de  Obama nem por Romney que, em sua resposta, concordou com o adversário.
A segunda emenda é vista como uma das maiores conquistas da democracia norte-americana, uma vez que o poder de polícia não é monopólio do Estado, e cada cidadão tem o direito de se defender como bem entender. Entre os republicanos ultra-conservadores do Tea Party, por exemplo, há uma espécie de devoção à emenda, que aparece em quinto lugar na lista de “15 crenças não-negociáveis” com o seguinte texto: “posse de armas é sagrado”.
Princípios que regem os ideais do movimento ultra-conservador Tea Party
Armados e protegidos
Outra convicção é que um cidadão que esteja portando sua arma no momento de uma agressão, e mesmo durante a ocorrência de um assassinato em massa, poderá evitar maiores tragédias se usar sua arma. Prova disso é que, logo após o assassinato de 12 pessoas por um jovem em um cinema de Aurora, no Colorado, em julho desse ano, as vendas de armas e a busca por registro para portá-las subiram 43% só naquele estado.
O poder da auto-defesa de quem carrega uma arma carece, sem dúvida, de dados empíricos que o comprove. Segundo a análise dos 61 assassinatos em massa analisados pela revista Mother Jones, nenhum deles foi impedido por cidadãos armados.
Para Stephen Hargarten, especialista em medicina de emergência e violência armada do Medical College de Wisconsin, não há evidência de que armar os norte-americanos ajudará a prevenir assassinatos em massa ou reduzir a carnificina. “Pelo contrário, há uma relação entre a proliferação de armas de fogo e o aumento de assassinatos em massa”. Os EUA possuem hoje cerca de 300 milhões de armas entre sua população de 308 milhões de habitantes.
Lobby da NRA e retrocesso
É uma tarefa complicada, portanto, convencer gestores públicos a tomarem medidas que, de alguma forma, restrinjam o acesso a armas e munições para a população civil. A dificuldade se dá tanto pela crença dos gestores nos benefícios democráticos da segunda emenda, mas, principalmente, porque eles sabem que os maiores defensores dela são também um dos maiores financiadores de campanhas políticas: a National Rifle Association (NRA).
Trata-se da maior organização do país de proteção da segunda emenda, que congrega mais de quatro milhões de membros e possui um lobby poderoso o suficiente no Congresso para fazer qualquer candidato à Presidência ganhar ou perder as eleições. De preferência, fazer ganhar Mitt Romney, a quem a organização apoia e financia abertamente.
Ainda segundo reportagem da Mother Jones, “desde 2009, a NRA e seus aliados nas capitais dos estados conseguiram empurrar 99 leis que tornaram mais fácil comprar e portar armas em público – sendo que oito estados agora até permitem armas em bares – e mais difícil para o governo rastrear”, diz o texto, com um importante detalhe no final: “mais de dois terços dessas leis foram aprovadas em legislaturas controladas por republicanos, embora geralmente com apoio bipartidário (dos democratas)”.
Aqui no Texas, por exemplo, segundo lei de 2001, “nenhum empregador público ou privado pode proibir seus empregados de manterem suas armas dentro de seus veículos estacionados”. Para conseguir a licensa de porte de armas por aqui é preciso preencher uma série de documentos do Texas Departament of Public Safety, pagar taxas e passar por um teste. Com a licensa conseguida, torna-se fácil comprar armas e munição em uma das diversas lojas da cidade ou online, mesmo as de uso exclusivo de militares.
No Novo México, a próxima parada desse blog, desde 2010 qualquer cidadão portando uma arma de forma não aparente pode entrar em restaurantes que vendam cerveja ou vinho. Já o estado da Virgínia, com ajuda da NRA, revogou uma lei existente que obrigava os vendedores de armas a enviarem aos órgãos responsáveis os registros de seus compradores. Além disso, o estado também ordenou a destruição dos registros já existentes.
Site de vendas de armas online aqui de Dallas/Texas
Até o fim dessas eleições – e mesmo depois, com a vitória de Obama ou Romney – será difícil ouvir qualquer gestor público falar, de forma aberta e concreta, sobre políticas de restrição de armas e munição, por mais que o aumento dos assassinatos em massa exija alguma medida. A NRA tem dinheiro, lobby e ideologia suficientes para silenciar até o futuro presidente da nação.



terça-feira, 9 de outubro de 2012

Devido as mudanças no mundo contemporâneo, Renato Russo reatualizou sua obra, no caso uma de suas músicas, pois estava preocupado em não ficar muito anacrônico. Segue abaixo o post, que merece uma leitura atenta...

Quanto mais Renato melhor

Esse dias, navegando no Facebook, deparei-me com inúmeras fotos de latinhas de Coca Cola, onde se via inscrito, no lugar do famoso logotipo, “Quanto mais Bruno melhor”. Cada post trazia a inscrição com um nome diferente “Quanto mais Carla melhor”, “Quanto mais Maurício melhor”.
A principio pensei que tais postagens eram o resultado da admiração de alguns pelo progresso atingido pela indústria de bebidas, que, nossa, agora é capaz de personalizar até uma lata de refrigerante. Depois, constatei que não era nada disso. As pessoas estavam ali simples e docemente relacionando seus nomes a marca que já foi o símbolo máximo do imperialismo americano. Participando gratuita e espontaneamente da campanha de marketing de uma das maiores companhias do mundo.
Imediatamente lembrei-me de minha canção Geração Coca-Cola, cujos versos mostram uma juventude, filha do golpe militar e da revolução dos anos 60, atenta, crítica e indignada em relação ao lixo cultural a que foi submetida desde a infância. Atitude bem de acordo com o espírito pós-punk do período em que a música foi composta.  Mas os tempo são outros. A letra de Geração Coca-Cola ficou completamente anacrônica. Por isso, pus-me a fazer a versão século XXI deste hino dos anos 80. Veja como ficou o update.

GERAÇÃO COCA-COLA ZERO


Quando nascemos fomos abençoados
A receber o que vocês
Nos ofertaram com os enlatados
Dos U.S.A., de nove às dez

Desde pequenos browseamos lixo
Comercial e o Viral
Mas agora chegou nossa vez
Vamos gravar na webcam o lixo de vocês

Somos os filhos da acomodação
Evangélicos com algum tostão
Somos o presente da nação venero
Geração Coca-Cola Zero

Depois de cabular a escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seus jogos sujos
Do Xbox e PS3

Não vou fazer o meu dever de casa
Porque senão eu não vou ver
Todos os torrents que eu baixei
Séries comédia com legendas em português

Somos os filhos da acomodação
Evangélicos com algum tostão
Somos o presente da nação venero
Geração Coca-Cola Zero
Geração Coca-Cola Zero
Geração Coca-Cola Zero
Geração Coca-Cola Zero

Eu tenho 20 e ainda tô na escola
Pois não consigo aprender
Mas deve ser porque eu navego muito
Não é assim que devia ser

Vamos fazer nossos vídeos em casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças enaltecendo reis
Fazendo paródias de clipes no cyberspace

Somos os filhos da acomodação
Evangélicos com algum tostão
Somos o presente da nação eu quero
Geração Coca-Cola Zero
Geração Coca-Cola Zero
Geração Coca-Cola Zero
Geração Coca-Cola Zero

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Neste dia 01 de outubro de 2012, a História teve uma grande perda, com o falecimento do historiador Eric Hobsbawm. A forma de compreender a História dos séculos XVIII ao XX, bem como a própria contemporaneidade, deve muito a esta pessoa!

Morre o historiador marxista Eric Hobsbawm aos 95 anos

Um dos principais intelectuais do século XX, sua obra é reconhecida mundialmente


O historiador, Eric Hobsbawm, desenvolveu pesquisas e estudos até os 94 anos, sendo responsável por extensa análise dos séculos XIX e XX e suas principais transformações

Um dos maiores historiadores do século XX e respeitado marxista, Eric Hobsbawm faleceu nesta segunda-feira (01/10) em Londres, aos 95 anos, segundo um comunicado de sua família divulgado em jornais britânicos. O estudioso deixou um amplo legado de pesquisas e análises sobre a história do mundo moderno a partir do viés marxista. 

O intelectual estava internado no hospital Royal Free e não resistiu a uma pneumonia.  Sua filha, Julia Hobsbawm, informou que o historiador estava passando por um longo período de doenças, mas não deu outros detalhes sobre seu quadro de saúde. 

"Ele fará falta não apenas para sua esposa há 50 anos, Marlene, e seus três filhos, sete netos e um bisneto, mas também por seus milhares de leitores e estudantes ao redor do mundo", acrescentaram seus familiares em comunicado. 

Responsável por obra de quatro volumes sobre a história contemporânea, Hobsbawm é considerado um dos principais historiadores dos séculos XIX e XX. Seus estudos abrangem de 1789, data da revolução francesa, a 1991 com a queda da União Soviética e enfatizam, sobretudo, as transformações políticas e sociais do mundo por meio de seus principais marcos históricos. 

O imperialismo das potencias sobre os continentes asiático e africano, a revolução russa e o estabelecimento dos regimes burgueses na Europa também foram objetos de estudo do marxista. 

Para o historiador Niall Ferguson, os livros “A Era da Revolução” (1789 – 1848), a “Era do Capital” (1848 – 1875), “A Era dos Impérios” (1875 – 1914) e “A Era dos Extremos (1914 – 1991) são “o melhor ponto inicial para qualquer pessoa que deseje começar a estudar a história moderna”.

O trabalho de Hobsbawm, no entanto, não se limitou a essa série de estudos e a idade parece não ter impedido o historiador de continuar com suas pesquisas e análises. Tendo em vista recentes acontecimentos mundiais como os atentados terroristas do 11 de setembro e a guerra dos Estados Unidos “contra o terror”, Hobsbawm publicou “Globalização, Democracia e Terrorismo” em 2007, uma compilação de palestras e conferências.

Em 2011, aos 94 anos, o historiador fez sua ultima contribuição e análise aos estudos do pensamento e da história marxista com o livro “Como mudar o mundo”. Prefácios, artigos, conferências e ensaios reunidos na obra explicitam a preocupação central do historiador em refletir sobre as transformações e nesse caso, sobre uma teoria que alicerça a revolução.

O historiador, de origem judaica, nasceu no ano de 1917 em Alexandria, no Egito, mas cresceu em Viena, capital austríaca, e em Berlim, capital alemã. Junto de sua família, se mudou para Londres em 1933 quando Hitler chegou ao poder na Alemanha. Hobsbawm desenvolveu seus estudos no King’s College, na capital britânica, e em Cambridge. Em 1947, começou a lecionar na Universidade de Birbeck, onde, anos depois, acabou por se tornar o reitor.

O posicionamento político de Hobsbawm era público e muito conhecido, pois, em plena Guerra Fria, ele se afiliou ao Partido Comunista britânico. O historiador disse, anos depois, que “nunca tentou diminuir as coisas que aconteceram na Rússia”, informou o jornal britânico Guardian. 

“Mas, acreditava que um novo mundo estava nascendo em meio a sangue, lagrimas e horror: revolução, guerra civil e fome. Por conta do colapso do Ocidente, nós tínhamos a ilusão de que mesmo que brutal, o sistema funcionaria melhor do que o ocidental. Era isso ou nada”, contou o historiador.